Funções e conjuntos

Conjuntos, definição de função, domínio e imagem, classificação em injetora e sobrejetora, e as funções do 1º e 2º grau, exponencial e logarítmica.

Autor: Rafael Souza Leitura: 19 min Atualizado em: 2026-09
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Objetivos da aula

  • Operar com conjuntos e reconhecer os conjuntos numéricos.
  • Entender o que faz de uma relação uma função, e achar domínio e imagem.
  • Classificar uma função em injetora, sobrejetora e bijetora.
  • Analisar a função do 1º grau e a do 2º grau: raízes, vértice e gráfico.
  • Resolver equações exponenciais, com e sem logaritmo.

Conjuntos

Um conjunto é uma coleção de elementos. É a linguagem básica sobre a qual tudo em funções é escrito — domínio e imagem são conjuntos.

As operações que aparecem em prova:

OperaçãoSímboloO que é
UniãoA ∪ Bo que está em A, em B, ou nos dois
InterseçãoA ∩ Bsó o que está nos dois ao mesmo tempo
DiferençaA − Bo que está em A e não está em B
ComplementarAco que está no conjunto universo e não está em A
Contido emA ⊂ Btodo elemento de A também está em B
Vazio∅o conjunto sem nenhum elemento

O conjunto vazio está contido em qualquer conjunto — inclusive nele mesmo. E o complementar só faz sentido quando o universo está declarado: o complementar dos pares é diferente dentro dos naturais e dentro dos reais.

Para contar elementos de uma união sem repetir quem está nos dois:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

Onde n(A) é a quantidade de elementos de A. Subtrair a interseção é o que impede a contagem dupla — é a base de quase toda questão de diagrama de Venn.

O erro mais comum aqui é confundir "estuda inglês" com "estuda só inglês". Se 25 estudam inglês e 8 estudam os dois idiomas, então só inglês são 25 − 8 = 17. Quem soma 25 + 18 direto conta os 8 duas vezes.

1.1 Os conjuntos numéricos

  • ℕ — naturais: 0, 1, 2, 3, …
  • ℤ — inteiros: … −2, −1, 0, 1, 2, …
  • ℚ — racionais: tudo que se escreve como fração de inteiros (inclui as dízimas periódicas)
  • 𝕀 — irracionais: √2, π, e — não são fração de inteiros
  • ℝ — reais: a união dos racionais com os irracionais

Cada um está contido no seguinte: ℕ ⊂ ℤ ⊂ ℚ ⊂ ℝ.

Cuidado com a raiz: √2 é irracional, mas √9 = 3 é natural. O símbolo de raiz não torna o número irracional — o que conta é o valor.

O que é uma função

Uma função é uma relação que associa cada elemento de um conjunto de partida a um único elemento de um conjunto de chegada.

As duas palavras em negrito são a definição inteira, e cada uma barra um caso:

  • se algum elemento da partida não tem correspondente, não é função;
  • se algum elemento da partida tem dois correspondentes, também não é.

Os dois conjuntos têm nome: o de partida é o domínio, e o de chegada é o contradomínio. Guarde esse segundo nome — ele é o que separa sobrejetora de não sobrejetora, mais adiante.

A notação usual é f(x), lida "f de x", onde x é a variável independente (a entrada, que você escolhe) e f(x) é a variável dependente (a saída).

Exemplo. Para f(x) = 3x2 − 2x + 1, calcular f(2) é só substituir:

f(2) = 3 · 4 − 2 · 2 + 1 = 12 − 4 + 1 = 9

Domínio e imagem

  • Domínio — o conjunto de todos os valores de x para os quais a função está definida. No gráfico, são os valores cobertos no eixo horizontal.
  • Imagem — o conjunto de todos os valores que f(x) realmente assume. No gráfico, são os valores atingidos no eixo vertical.

Repare que imagem e contradomínio não são a mesma coisa: o contradomínio é onde a função pode chegar, a imagem é onde ela chega de fato. A imagem está sempre contida no contradomínio.

Na prática, achar o domínio é procurar o que não pode acontecer. Três proibições respondem quase tudo:

As três restrições de domínio

  • Denominador não pode ser zero. Em f(x) = 1/x, o domínio é ℝ − {0}.
  • Radicando de índice par não pode ser negativo. Em f(x) = √(x − 3), é preciso x − 3 ≥ 0, ou seja x ≥ 3.
  • Logaritmando tem que ser positivo. Em f(x) = log(x − 2), é preciso x > 2. Não existe logaritmo de zero nem de número negativo.

Quando a função tem mais de uma dessas estruturas, as restrições valem ao mesmo tempo: o domínio é a interseção delas, não a união. Em log(x − 2) + 1/(x − 5) é preciso x > 2 e x ≠ 5.

A imagem costuma dar mais trabalho, porque depende do comportamento da função. Em f(x) = 1/x, por exemplo, a imagem é ℝ − {0}: por maior que x fique, 1/x chega perto de zero mas nunca chega a zero.

Injetora, sobrejetora e bijetora

  • Injetora — elementos diferentes do domínio vão para imagens diferentes. Ou seja, se f(x1) = f(x2), então x1 = x2. No gráfico: nenhuma reta horizontal corta a curva em mais de um ponto.
  • Sobrejetora — todo elemento do contradomínio é atingido. A imagem coincide com o contradomínio.
  • Bijetora — as duas coisas ao mesmo tempo.

Um exemplo resolve as três de uma vez. Tome f: ℝ → ℝ com f(x) = x2:

  • não é injetora, porque f(−3) = f(3) = 9: dois valores diferentes de x com a mesma saída;
  • não é sobrejetora, porque a imagem é [0, +∞) e nenhum x real dá f(x) = −4;
  • logo, não é bijetora.

Mas classificação depende dos conjuntos declarados, não só da fórmula. A mesma expressão x2, agora como f: [0, +∞) → [0, +∞), é bijetora: cortando fora os negativos some a repetição, e restringindo o contradomínio à imagem some o que não era atingido. Questão que muda o domínio sem mudar a fórmula está cobrando exatamente isso.

Isso importa por um motivo prático: só função bijetora tem inversa que também é função. A inversa, escrita f−1, desfaz o que a função fez — se f(2) = 5, então f−1(5) = 2. Note o expoente −1 na notação: ele não quer dizer 1 ÷ f(x). São coisas diferentes, e trocar uma pela outra é erro clássico.

Função do 1º grau

f(x) = ax + b, com a ≠ 0

  • a — o coeficiente angular, que dá a inclinação da reta;
  • b — o coeficiente linear, que é onde a reta corta o eixo y.

O gráfico é sempre uma reta. O sinal de a decide tudo: a > 0 dá função crescente, a < 0 dá decrescente. Se a = 0 não é função do 1º grau, e sim uma constante.

As interseções com os eixos:

  • com o eixo y: no ponto (0, b);
  • com o eixo x: fazendo f(x) = 0, o que dá a raiz x = −b/a.

5.1 Exemplo resolvido

Uma oficina vende um serviço por R$ 80,00. O custo é R$ 50,00 por serviço prestado mais R$ 900,00 fixos por mês. Qual a função lucro, e a partir de quantos serviços ela começa a lucrar?

R(x) = 80x · C(x) = 50x + 900

L(x) = R(x) − C(x) = 80x − 50x − 900 = 30x − 900

O ponto de equilíbrio é onde o lucro zera:

30x − 900 = 0 ⟹ x = 30 serviços

Abaixo de 30 há prejuízo; acima, lucro. Repare que o custo fixo entra uma vez só, no b — não multiplica por x. Somar o fixo à parcela variável é o erro que mais aparece nesse tipo de questão.

Função do 2º grau

f(x) = ax2 + bx + c, com a ≠ 0

O gráfico é uma parábola. O coeficiente a manda na concavidade: a > 0 abre para cima (e o vértice é ponto de mínimo), a < 0 abre para baixo (vértice é máximo). O c é onde a parábola corta o eixo y.

6.1 Raízes e discriminante

x = (−b ± √Δ) ÷ 2a, com Δ = b2 − 4ac

Δ > 0 dá duas raízes distintas; Δ = 0 dá uma raiz dupla (a parábola tangencia o eixo); Δ < 0 não dá raiz real (a parábola não toca o eixo x).

No cálculo de Δ, o erro campeão é o sinal: em c negativo, −4ac vira mais. Com a = 1, b = 2 e c = −8, Δ = 4 − 4 · 1 · (−8) = 4 + 32 = 36, não 4 − 32.

6.2 Vértice

xv = −b ÷ 2a · yv = f(xv) = −Δ ÷ 4a

Onde:

  • xv — a abscissa do vértice, na unidade da variável de entrada;
  • yv — o valor máximo ou mínimo da função, na unidade da saída;
  • Δ — o discriminante, b2 − 4ac.

As duas expressões de yv dão o mesmo número. Substituir xv na função é mais seguro; −Δ ÷ 4a é mais rápido quando você já calculou o Δ para achar as raízes.

O vértice é o que responde toda questão do tipo "qual a altura máxima", "qual a receita máxima", "em que instante". A imagem da função sai dele: com a > 0, a imagem é y ≥ yv; com a < 0, é y ≤ yv.

x y 1 3 V(2, −1) (0, 3)
Figura 1. A parábola de f(x) = x2 − 4x + 3. As raízes 1 e 3 são onde ela corta o eixo x; o vértice fica no meio delas, em x = 2; e o corte no eixo y é o próprio c = 3.

Repare no atalho: o x do vértice é sempre o ponto médio entre as raízes, quando elas existem. Achou as raízes, achou o vértice sem usar fórmula.

6.3 Exemplo resolvido

Um objeto é lançado e sua altura, em metros, é h(t) = −5t2 + 20t + 15, com t em segundos. Qual a altura máxima, e quando ele volta ao solo?

Como a = −5 < 0, a parábola abre para baixo e o vértice é o máximo:

tv = −20 ÷ (2 · (−5)) = 2 s

h(2) = −5 · 4 + 40 + 15 = 35 m

Volta ao solo quando h = 0:

Δ = 400 − 4 · (−5) · 15 = 400 + 300 = 700

t = (−20 ± 10√7) ÷ (−10) = 2 ∓ √7

As raízes são 2 − √7 ≈ −0,65 e 2 + √7 ≈ 4,65 s. A negativa é descartada: não existe tempo antes do lançamento.

Função exponencial

f(x) = a · bx, com b > 0 e b ≠ 1

  • a — o valor inicial, isto é, f(0);
  • b — a base, um número positivo diferente de 1;
  • x — o expoente, que é a variável.

O que caracteriza a exponencial é a variável estar no expoente. Em x2 a base varia e o expoente é fixo; em 2x é o contrário — e o comportamento das duas não tem nada a ver.

A base decide o comportamento:

  • b > 1 — crescimento exponencial: população, juros compostos;
  • 0 < b < 1 — decaimento exponencial: material radioativo, resfriamento.

7.1 O gráfico e o que ele mostra

1 2 4 8 −2 2 x y = 2ˣ y = (½)ˣ
Figura 2. Crescimento (b = 2, linha cheia) e decaimento (b = ½, tracejada). As duas passam pelo ponto marcado (0, 1), e o eixo horizontal é assíntota das duas: a curva chega arbitrariamente perto de zero e nunca toca.

Três leituras saem direto do gráfico:

  • o gráfico sempre corta o eixo y em f(0) = a, porque b0 = 1 — qualquer que seja a base;
  • o domínio é ℝ: expoente negativo, zero ou fracionário é permitido;
  • a imagem é (0, +∞) quando a > 0 — a curva vive inteira acima do eixo. Exponencial nunca zera e nunca fica negativa.

Onde mais se erra em exponencial

  • 3 · 2x não é 6x. O 3 multiplica o resultado da potência; ele não entra na base.
  • 2x+1 = 2 · 2x, e não 2x + 2. Soma no expoente vira produto, nunca soma.
  • (½)t/3 não é (½)t ÷ 3. O 3 divide o expoente, dentro da potência.
  • Expoente negativo não deixa o resultado negativo: 2−3 = 1/8, que é positivo.

7.2 Os dois modelos que mais caem

Juros compostos:

C(t) = C0 · (1 + i)t

  • C0 — o capital inicial, em reais (R$);
  • i — a taxa por período, em forma decimal (8% ao ano é 0,08);
  • t — o número de períodos, na unidade da taxa.

Meia-vida:

Q(t) = Q0 · (½)t/T

  • Q0 — a quantidade inicial, em gramas (g) ou na unidade do problema;
  • T — a meia-vida, o tempo que leva para a quantidade cair pela metade, em anos, dias ou segundos;
  • t — o tempo decorrido, na mesma unidade de T.

O atalho da meia-vida: se t é múltiplo de T, nem precisa de fórmula — basta dividir por 2 tantas vezes quantas forem as meias-vidas. Em 9 anos com meia-vida de 3 anos são três divisões por 2, ou seja, sobra 1/8 do inicial.

Logaritmo e equações exponenciais

O logaritmo é a operação inversa da exponencial. Ele responde à pergunta "a que expoente preciso elevar a base para chegar neste número?":

logb(y) = x ⟺ bx = y

Com b > 0, b ≠ 1 e y > 0. Essa última condição é a mesma restrição de domínio da seção 3: como bx é sempre positivo, não existe logaritmo de número negativo nem de zero.

8.1 Quando dá para igualar as bases

Se os dois lados podem virar potências da mesma base, não precisa de logaritmo — basta igualar os expoentes:

2x = 8 = 23 ⟹ x = 3

Esse é sempre o primeiro caminho a tentar.

8.2 Quando não dá

Em 2x = 10, o 10 não é potência de 2. Aí entra o logaritmo:

x = log2(10)

E como a calculadora costuma ter só log decimal, usa-se a mudança de base:

logb(y) = log(y) ÷ log(b)

x = log(10) ÷ log(2) = 1 ÷ 0,3010 ≈ 3,32

Repare que é divisão de logaritmos, não subtração. E log(y) ÷ log(b) não é log(y ÷ b) — são coisas diferentes.

8.3 Exemplo resolvido

Em quantos anos um investimento de R$ 1.000,00 dobra, a 5% ao ano de juros compostos?

1000 · 1,05t = 2000 ⟹ 1,05t = 2

t = log(2) ÷ log(1,05) ≈ 0,3010 ÷ 0,0212 ≈ 14,2 anos

Repare que a resposta não depende do valor investido: qualquer quantia a 5% ao ano dobra no mesmo tempo.

O que mais cai

  • Zeros da função — onde f(x) = 0, ou seja, onde o gráfico corta o eixo x.
  • Interseção com o eixo y — é sempre f(0), e sai de graça.
  • Crescimento e decrescimento — na reta, o sinal de a; na parábola, muda no vértice; na exponencial, o valor da base.
  • Máximo e mínimo — na função do 2º grau, é sempre o vértice. Função do 1º grau não tem máximo nem mínimo: ela cresce ou decresce para sempre. Exponencial também não tem.
  • Domínio — procure denominador, raiz de índice par e logaritmando, nessa ordem. Se não houver nenhum dos três, o domínio é ℝ.

Exercícios

Conjuntos

  1. Numa turma de 40 alunos, 25 estudam inglês, 18 estudam espanhol e 8 estudam os dois idiomas. Quantos alunos estudam apenas inglês, quantos estudam apenas espanhol e quantos não estudam nenhum dos dois?

  2. Dados A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {4, 5, 6, 7}, determine A ∪ B, A ∩ B, A − B e B − A. Em seguida, diga a quais conjuntos numéricos pertence o número √9.

Domínio, imagem e classificação

  1. Dada f(x) = √(x − 3), determine o domínio e a imagem.

  2. Considere g(x) = (2x + 1) ÷ (x − 4). Determine o domínio e a imagem.

  3. Determine o domínio de h(x) = log(x − 2) + 1 ÷ (x − 5).

  4. Considere f: ℝ → ℝ dada por f(x) = x2. Ela é injetora? Sobrejetora? Bijetora? Justifique cada resposta e diga o que precisa mudar para que ela se torne bijetora.

Funções do 1º grau

  1. Encontre a raiz de f(x) = 5x − 15 e identifique os pontos de interseção com os eixos x e y.

  2. Uma empresa vende um produto por R$ 50,00 cada. O custo de produção é R$ 30,00 por unidade mais um custo fixo de R$ 500,00. Escreva a função lucro L(x) e determine o ponto de equilíbrio.

  3. Considere f(x) = −2x + 4. Dê a inclinação, diga se é crescente ou decrescente e determine x quando f(x) = 0.

  4. Um estacionamento cobra taxa fixa de R$ 5,00 mais R$ 3,00 por hora. Escreva C(t), calcule o custo de 6 horas e o tempo máximo possível com R$ 20,00.

  5. Seja f(x) = 3x + k. Determine k para que o gráfico passe pelo ponto (2, 7).

Funções do 2º grau

  1. Encontre as raízes de f(x) = x2 − 6x + 8, determine o vértice e diga se é máximo ou mínimo.

  2. A altura de uma bola lançada para cima é h(t) = −5t2 + 13t + 6, com t em segundos e h em metros. Qual a altura máxima e quando ela ocorre? Em que instante a bola atinge o solo?

  3. Considere f(x) = 2x2 − 8x + 6. Determine domínio, imagem, raízes e vértice.

  4. A receita de uma empresa é R(x) = −5x2 + 200x, com x em unidades vendidas. Quantas unidades maximizam a receita, e qual é a receita máxima?

  5. A área de um campo retangular em função da largura x é A(x) = x(100 − 2x). Determine a largura x e o comprimento y que tornam a área máxima, e essa área.

  6. Encontre a, b e c na função f(x) = ax2 + bx + c sabendo que a parábola passa por (1, 2), (2, 5) e (3, 10).

Funções exponenciais

  1. Considere f(x) = 3 · 2x. Encontre x para que f(x) = 24.

  2. A população de uma bactéria triplica a cada hora. Se a população inicial é 1 000, escreva a função que modela o crescimento e determine a população após 5 horas.

  3. Um capital de R$ 10.000,00 é investido a juros compostos de 8% ao ano. Escreva C(t) e calcule o valor após 10 anos. Use 1,0810 ≈ 2,1589.

  4. Uma substância radioativa tem meia-vida de 3 anos. Se a quantidade inicial é 80 g, escreva Q(t) e determine quanto resta após 9 anos.

  5. O número de casos de uma doença cresce segundo N(t) = 200 · 1,5t, com t em dias. Quantos dias até atingir 1 000 casos? Use log 1,5 = 0,176 e log 5 = 0,70.

Interpretação de texto

  1. Uma fábrica tem custo diário C(x) = 50x + 3 000 e receita diária R(x) = 70x. Escreva a função lucro, determine o ponto de equilíbrio e discuta se existe um lucro máximo.

  2. A população de peixes num lago é P(t) = 5 000 · (1/2)t/3, com t em anos. Quanto tempo até a população cair para 625?

Ver gabarito

Conjuntos

  1. Chame de I o conjunto dos que estudam inglês e de E o dos que estudam espanhol. Sabemos n(I) = 25, n(E) = 18 e n(I ∩ E) = 8.

    Os 8 que estudam os dois já estão contados dentro dos 25 e dentro dos 18:

    apenas inglês = 25 − 8 = 17; apenas espanhol = 18 − 8 = 10.

    n(I ∪ E) = 25 + 18 − 8 = 35, ou seja, 35 alunos estudam pelo menos um idioma.

    Nenhum dos dois: 40 − 35 = 5 alunos.

    Conferindo: 17 + 10 + 8 + 5 = 40. Fecha com o total da turma.

  2. A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7} — os elementos 4 e 5 entram uma vez só.

    A ∩ B = {4, 5}

    A − B = {1, 2, 3} e B − A = {6, 7}. As duas diferenças são conjuntos distintos: A − B não é B − A.

    Quanto a √9: ele vale 3, e 3 é natural. Logo √9 pertence a ℕ, ℤ, ℚ e ℝ. O símbolo de raiz não torna o número irracional — o que conta é o valor.

Domínio, imagem e classificação

  1. Domínio. O radicando não pode ser negativo: x − 3 ≥ 0 ⟹ x ≥ 3. Logo D = [3, +∞).

    Imagem. A função começa em f(3) = 0 e cresce indefinidamente. Logo Im = [0, +∞).

  2. Domínio. O denominador não pode zerar: x ≠ 4. Logo D = ℝ − {4}.

    Imagem. Aqui há uma pegadinha: o valor y = 2 nunca é atingido. Tentando resolver (2x + 1) ÷ (x − 4) = 2:

    2x + 1 = 2x − 8 ⟹ 1 = −8, impossível.

    Im = ℝ − {2}. A reta y = 2 é assíntota horizontal.

  3. São duas restrições, e as duas valem ao mesmo tempo.

    Logaritmando positivo: x − 2 > 0 ⟹ x > 2. Note que é desigualdade estrita — x = 2 não entra.

    Denominador não nulo: x − 5 ≠ 0 ⟹ x ≠ 5.

    Juntando: D = (2, 5) ∪ (5, +∞), ou seja, {x ∈ ℝ | x > 2 e x ≠ 5}.

    O erro comum é dar só uma das duas condições, ou unir em vez de interseccionar.

  4. Injetora? Não. f(−3) = 9 e f(3) = 9: duas entradas distintas com a mesma saída. No gráfico, a reta horizontal y = 9 corta a parábola em dois pontos.

    Sobrejetora? Não. O contradomínio declarado é ℝ, mas a imagem é [0, +∞). Nenhum x real satisfaz x2 = −4, então os negativos do contradomínio não são atingidos.

    Bijetora? Não, já que falha nas duas condições.

    Para torná-la bijetora é preciso mexer nos conjuntos, não na fórmula: tomando f: [0, +∞) → [0, +∞), cortar os x negativos elimina a repetição, e reduzir o contradomínio à imagem elimina o que sobrava. A mesma expressão passa a ser bijetora.

Funções do 1º grau

  1. 5x − 15 = 0 ⟹ x = 3

    Interseção com o eixo x: (3, 0). Com o eixo y: f(0) = −15, ou seja (0, −15).

  2. R(x) = 50x e C(x) = 30x + 500.

    L(x) = 20x − 500

    Equilíbrio: 20x − 500 = 0 ⟹ x = 25 unidades

  3. Inclinação a = −2. Como é negativa, a função é decrescente.

    −2x + 4 = 0 ⟹ x = 2

  4. C(t) = 3t + 5

    C(6) = 18 + 5 = R$ 23,00

    Com R$ 20,00: 3t + 5 ≤ 20 ⟹ t ≤ 5, ou seja 5 horas.

  5. Passar por (2, 7) significa f(2) = 7:

    3 · 2 + k = 7 ⟹ k = 1, e f(x) = 3x + 1.

Funções do 2º grau

  1. Δ = 36 − 32 = 4, logo x = (6 ± 2) ÷ 2.

    Raízes: x = 4 e x = 2

    xv = 6 ÷ 2 = 3 e yv = 9 − 18 + 8 = −1.

    Vértice (3, −1). Como a = 1 > 0, é ponto de mínimo.

  2. Como a = −5 < 0, a parábola abre para baixo e o vértice é máximo.

    tv = −13 ÷ (2 · (−5)) = 13 ÷ 10 = 1,3 s

    h(1,3) = −5 · 1,69 + 13 · 1,3 + 6 = −8,45 + 16,9 + 6 = 14,45 m

    Para o solo, h(t) = 0. Multiplicando por −1: 5t2 − 13t − 6 = 0.

    Δ = (−13)2 − 4 · 5 · (−6) = 169 + 120 = 289, e √289 = 17.

    t = (13 ± 17) ÷ 10, dando t = 3 e t = −0,4.

    A negativa é descartada: a bola atinge o solo em 3 s.

    Conferindo: h(3) = −45 + 39 + 6 = 0. Confere. E repare que 1,3 s não é a metade de 3 s — a simetria da parábola só vale entre as duas raízes, e uma delas é negativa.

  3. Domínio: ℝ — toda função polinomial está definida em todo lugar.

    Raízes: 2(x2 − 4x + 3) = 0 ⟹ x = 1 e x = 3.

    xv = 8 ÷ 4 = 2 e yv = 8 − 16 + 6 = −2.

    Pela outra fórmula: Δ = 64 − 48 = 16 e yv = −16 ÷ (4 · 2) = −2. Mesmo valor, como tinha de ser.

    Vértice (2, −2), e como a > 0 a imagem é [−2, +∞).

  4. xv = −200 ÷ (2 · (−5)) = 20 unidades

    R(20) = −5 · 400 + 4 000 = R$ 2.000,00

  5. A(x) = 100x − 2x2, com a = −2 < 0 — o vértice é máximo.

    xv = −100 ÷ (2 · (−2)) = 25 m

    y = 100 − 2 · 25 = 50 m

    A = 25 · 50 = 1 250 m²

  6. Cada ponto dá uma equação:

    a + b + c = 2, 4a + 2b + c = 5 e 9a + 3b + c = 10.

    Subtraindo a primeira da segunda: 3a + b = 3. Subtraindo a segunda da terceira: 5a + b = 5.

    Subtraindo essas duas: 2a = 2 ⟹ a = 1, daí b = 0 e c = 1.

    f(x) = x2 + 1

    Conferindo: f(1) = 2, f(2) = 5 e f(3) = 10. Confere.

Funções exponenciais

  1. 3 · 2x = 24 ⟹ 2x = 8 = 23

    x = 3 — aqui nem foi preciso logaritmo, bastou igualar as bases.

    Atenção: o primeiro passo é dividir por 3, não tratar 3 · 2x como 6x.

  2. P(t) = 1 000 · 3t

    P(5) = 1 000 · 243 = 243 000 bactérias

  3. C(t) = 10 000 · (1,08)t — a taxa de 8% entra como 1 + 0,08.

    C(10) = 10 000 · 2,1589 ≈ R$ 21.589,00

  4. Q(t) = 80 · (1/2)t/3

    Nove anos são três meias-vidas: Q(9) = 80 · (1/2)3 = 80 ÷ 8 = 10 g

    Sem fórmula, o mesmo: 80 → 40 → 20 → 10.

  5. 200 · 1,5t = 1 000 ⟹ 1,5t = 1 000 ÷ 200 = 5

    O 5 não é potência inteira de 1,5, então não dá para igualar bases. Pela definição de logaritmo, t = log1,5(5), e pela mudança de base:

    t = log 5 ÷ log 1,5 = 0,70 ÷ 0,176 ≈ 4 dias

    Conferindo: 1,54 = 5,0625, e 200 · 5,0625 ≈ 1 012 casos. Bate com os 1 000 pedidos.

Interpretação de texto

  1. L(x) = 70x − (50x + 3 000) = 20x − 3 000

    Ponto de equilíbrio: 20x = 3 000 ⟹ x = 150 unidades.

    Não existe lucro máximo. A função lucro é do 1º grau com a = 20 > 0, ou seja, estritamente crescente: quanto mais se produz e vende, maior o lucro, sem limite superior.

    Só funções do 2º grau com concavidade para baixo têm máximo. Quando um problema pede "o lucro máximo" e a função é linear, a resposta correta é apontar que ele não existe — o que a questão realmente permite calcular é o ponto de equilíbrio.

  2. 5 000 · (1/2)t/3 = 625 ⟹ (1/2)t/3 = 625 ÷ 5 000 = 1/8

    Como 1/8 = (1/2)3, basta igualar os expoentes:

    t/3 = 3 ⟹ t = 9 anos

    O expoente é t/3, não t: quem esquece a divisão responde 3 anos.

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