Função inversa e composta

Composição de funções, o domínio da composta, como achar a inversa algebricamente e a simetria entre os gráficos de f e f⁻¹ em relação à bissetriz.

Autor: Rafael Souza Leitura: 13 min Atualizado em: 2026-09
ou use Ctrl+P (⌘+P no Mac)

Objetivos da aula

  • Compor duas funções e entender por que a ordem importa.
  • Determinar o domínio de uma função composta.
  • Decompor uma função dada em duas mais simples.
  • Achar a inversa algebricamente e reconhecê-la no gráfico.

Composição de funções

Compor duas funções é ligá-las em série: a saída da primeira vira a entrada da segunda. É o que acontece toda vez que um preço passa por um desconto e depois por um imposto, ou que uma temperatura vai de Celsius para Fahrenheit e daí para Kelvin.

(g ∘ f)(x) = g(f(x))

  • f — a função aplicada primeiro, a de dentro;
  • g — a função aplicada depois, a de fora;
  • x — a entrada, que precisa servir para f.

O símbolo ∘ lê-se "bola". A armadilha está aqui: em gf, quem age primeiro é f, a que está escrita por último. A leitura correta é de dentro para fora, como no parêntese de g(f(x)).

1.1 Exemplo resolvido

Com f(x) = x + 2 e g(x) = x2, calcule (gf)(3) e (fg)(3).

(g ∘ f)(3) = g(f(3)) = g(5) = 52 = 25

(f ∘ g)(3) = f(g(3)) = f(9) = 9 + 2 = 11

Resultados diferentes, e não por acaso: a composição não é comutativa. Somar 2 e depois elevar ao quadrado não é elevar ao quadrado e depois somar 2 — assim como vestir meia e depois sapato não dá no mesmo que vestir sapato e depois meia.

Para obter a fórmula geral, substitua a expressão inteira no lugar do x:

(g ∘ f)(x) = g(x + 2) = (x + 2)2 = x2 + 4x + 4

(f ∘ g)(x) = f(x2) = x2 + 2

O erro mais comum nessa passagem é esquecer o parêntese: em g(x + 2) o bloco inteiro é elevado ao quadrado, não só o x. Confira sempre com um número: para x = 3, a primeira fórmula dá 9 + 12 + 4 = 25, que é o valor já calculado.

O domínio da composta

Este é o ponto que separa quem decorou de quem entendeu. Para que g(f(x)) exista, duas coisas precisam acontecer ao mesmo tempo:

As duas condições

  • x tem que estar no domínio de f — senão não existe nem a primeira saída;
  • f(x) tem que estar no domínio de g — a saída de f é a entrada de g, e precisa ser aceita por ela.

Quem olha só para a fórmula final perde a primeira condição. Tome f(x) = √x e g(x) = x2. A composta é

(g ∘ f)(x) = (√x)2 = x

e a fórmula final, x, parece valer em todo lugar. Mas o domínio é [0, +∞), e não ℝ: a raiz do caminho proibiu os negativos, e o fato de ela sumir na simplificação não devolve nada. O domínio se decide antes de simplificar.

2.1 Exemplo resolvido

Com f(x) = x − 4 e g(x) = 1 ÷ x, determine (gf)(x) e o seu domínio.

(g ∘ f)(x) = 1 ÷ (x − 4)

f aceita qualquer real, então a primeira condição não barra nada. Já g exige entrada diferente de zero, ou seja f(x) ≠ 0, o que dá x ≠ 4.

D = ℝ − {4}

Decompor: o caminho inverso

A prova costuma pedir o contrário: dada uma função, escrever quais duas a formam. Serve para simplificar conta, e é pré-requisito de derivada mais adiante.

A regra prática: o que está dentro do radical, do parêntese ou do denominador é a função de dentro; o que se faz com esse bloco é a de fora.

h(x)de dentro: fde fora: g
√(3x + 1)3x + 1x
(x − 4)3x − 4x3
1 ÷ (x2 + 1)x2 + 11 ÷ x

Em todos, h = gf. A conferência é imediata: substitua f dentro de g e veja se volta o h original. E a decomposição não é única — √(3x + 1) também sai de f = 3x e g = √(x + 1). A questão costuma pedir a mais simples.

O que é a função inversa

A função inversa desfaz o que a função fez. Se f leva 2 em 5, então f−1 leva 5 de volta em 2:

f(a) = b ⟺ f−1(b) = a

Ou seja, cada par (a, b) de f vira o par (b, a) de f−1: as coordenadas trocam de lugar. Essa única frase explica tudo o que vem depois, inclusive o gráfico.

Dois avisos sobre a notação

  • f−1(x) não é 1 ÷ f(x). Aqui o −1 não é expoente, é símbolo de inversa. Para f(x) = 2x, a inversa é x ÷ 2, e não 1 ÷ (2x). São funções diferentes.
  • Inversa não é oposta nem recíproca. Ela não muda o sinal nem vira a fração de cabeça para baixo: ela percorre o caminho de volta.

4.1 Nem toda função tem inversa

função bijetora tem inversa que também é função, e os dois motivos são concretos:

  • se f não é injetora, dois valores de entrada dão a mesma saída — e a volta ficaria ambígua. Em f(x) = x2, tanto 3 quanto −3 dão 9: perguntar "de onde veio o 9?" não tem resposta única;
  • se f não é sobrejetora, há elementos do contradomínio que ninguém atinge — e a volta ficaria indefinida ali.

No gráfico há um teste rápido: se alguma reta horizontal corta a curva em mais de um ponto, a função não é injetora e não tem inversa naquele domínio.

Como achar a inversa

São três passos mecânicos:

  1. escreva y = f(x);
  2. troque x por y e y por x;
  3. isole o y. O que sobrou é f−1(x).

O passo 2 é a tradução algébrica da troca de coordenadas da seção anterior. Quem pula a troca acaba isolando a variável errada e devolve a própria f.

5.1 Caso do 1º grau

Ache a inversa de f(x) = 2x − 1.

y = 2x − 1 ⟹ x = 2y − 1 ⟹ 2y = x + 1

f−1(x) = (x + 1) ÷ 2

A conferência obrigatória é compor as duas: se a inversa está certa, elas se cancelam e sobra o próprio x.

f(f−1(x)) = 2 · [(x + 1) ÷ 2] − 1 = x + 1 − 1 = x ✔

Essa checagem custa uma linha e pega qualquer erro de sinal.

5.2 Caso da função racional

Ache a inversa de f(x) = (3x − 2) ÷ (x + 1).

Depois da troca, o y aparece em dois lugares. A saída é multiplicar em cruz e juntar os termos com y de um lado só:

x = (3y − 2) ÷ (y + 1) ⟹ x(y + 1) = 3y − 2

xy + x = 3y − 2 ⟹ xy − 3y = −2 − x ⟹ y(x − 3) = −(x + 2)

f−1(x) = (x + 2) ÷ (3 − x)

Conferindo com um número: f(0) = −2 ÷ 1 = −2, e f−1(−2) = 0 ÷ 5 = 0. Voltou ao ponto de partida.

Domínio e imagem trocam de lugar

Se os pares (a, b) viram (b, a), então o que era entrada vira saída:

D(f−1) = Im(f) · Im(f−1) = D(f)

É daqui que sai boa parte das questões, porque permite achar a imagem de f — que costuma dar trabalho — olhando para o domínio da inversa, que é fácil.

No exemplo 5.2: f tem D = ℝ − {−1}, pelo denominador. A inversa (x + 2) ÷ (3 − x) tem domínio ℝ − {3}. Logo a imagem de f é ℝ − {3} — o valor 3 nunca é atingido, e é justamente a assíntota horizontal da curva.

O gráfico: simetria em relação à bissetriz

Trocar as coordenadas de um ponto é, geometricamente, refleti-lo na reta y = x. Então os gráficos de f e de f−1 são simétricos em relação à bissetriz.

0 1 1 x y f f⁻¹ y = x (0, −1) (−1, 0)
Figura 1. f(x) = 2x − 1 e f−1(x) = (x + 1) ÷ 2, com a bissetriz tracejada. O ponto (0, −1) de f vira (−1, 0) na inversa: as coordenadas trocam. O ponto marcado no cruzamento é (1, 1), e ele está sobre a bissetriz.

Três consequências que rendem questão:

  • dobrar a folha na bissetriz faz um gráfico cair exatamente sobre o outro;
  • onde f corta o eixo y, a inversa corta o eixo x — e vice-versa;
  • se as duas curvas se cruzam, o ponto de encontro costuma estar sobre a bissetriz, onde f(x) = x. Resolver essa equação simples muitas vezes substitui todo o resto da conta.

Um par que você já conhece: a exponencial e o logaritmo. Uma tem domínio ℝ e imagem (0, +∞); a outra tem domínio (0, +∞) e imagem ℝ. Os gráficos das duas são reflexos um do outro na bissetriz, e é por isso que os domínios aparecem trocados.

Restringir o domínio para poder inverter

Quando a função não é injetora, não se muda a fórmula: corta-se o domínio, até sobrar um pedaço em que ela seja injetora.

O caso clássico é f(x) = x2. Em ℝ ela não tem inversa, porque 3 e −3 vão para o mesmo 9. Mas em [0, +∞) nenhum valor se repete, e a imagem também é [0, +∞):

f: [0, +∞) → [0, +∞), f−1(x) = √x

Se a restrição fosse o outro lado, (−∞, 0], a inversa seria f−1(x) = −√x. A inversa depende da restrição escolhida — por isso o enunciado sempre declara o domínio, e ignorá-lo é perder a questão.

É também a razão de √9 valer 3 e não ±3: o símbolo de raiz é a inversa do quadrado restrito aos não negativos, e uma função devolve um valor só. O ± aparece na resolução de x2 = 9, que é outra coisa — ali se procuram todas as soluções, não a imagem de uma função.

A mesma ideia reaparece em trigonometria: o seno se repete de 2π em 2π, e só depois de restringi-lo a um intervalo é que faz sentido falar em arco-seno.

Exercícios

  1. Dadas f(x) = 2x + 3 e g(x) = x2 − 1, calcule (gf)(2) e (fg)(2).

  2. Com f(x) = 3x − 1 e g(x) = x + 4, determine as fórmulas de (fg)(x) e (gf)(x).

  3. Sejam f(x) = x2 + 1 e g(x) = 2x − 5. Obtenha (fg)(x) e (gf)(x), e verifique em x = 1 que as duas são diferentes.

  4. Escreva cada função abaixo como gf, indicando f e g: h(x) = √(3x + 1) e p(x) = 1 ÷ (x2 + 1).

  5. Dadas f(x) = 1 ÷ x e g(x) = √x, determine (gf)(x) e o seu domínio.

  6. Determine a inversa de f(x) = 3x − 6 e confira o resultado compondo as duas funções.

  7. Seja f(x) = (2x + 1) ÷ (x − 3). Determine f−1(x), o domínio e a imagem de f e o domínio e a imagem da inversa.

  8. Considere f(x) = √(x − 2), com x ≥ 2. Determine f−1(x) e dê domínio e imagem das duas funções.

  9. Com f(x) = √(x − 1) e g(x) = 1 ÷ (x − 2), determine (gf)(x) e o seu domínio.

  10. A função f(x) = x2 − 4x + 3 não é injetora em ℝ. Determine uma restrição de domínio que a torne bijetora, indique a imagem correspondente e obtenha a inversa nessa restrição.

  11. Sabendo que f(x) = 2x − 1 e que (fg)(x) = 6x + 3, determine g(x). Em seguida calcule (gf)(x) e compare.

  12. Sejam f(x) = 2x + 1 e g(x) = x − 3. Determine (fg)−1(x) e verifique se ela coincide com (g−1f−1)(x) ou com (f−1g−1)(x).

Ver gabarito
  1. Em gf, quem age primeiro é f:

    f(2) = 4 + 3 = 7, e g(7) = 49 − 1 = 48.

    Na outra ordem, g vem primeiro:

    g(2) = 4 − 1 = 3, e f(3) = 6 + 3 = 9.

    48 ≠ 9: a composição não é comutativa.

  2. (fg)(x) = f(x + 4) = 3(x + 4) − 1 = 3x + 12 − 1 = 3x + 11

    (gf)(x) = g(3x − 1) = (3x − 1) + 4 = 3x + 3

    Conferindo em x = 0: g(0) = 4 e f(4) = 11, que bate com a primeira; f(0) = −1 e g(−1) = 3, que bate com a segunda.

  3. (fg)(x) = f(2x − 5) = (2x − 5)2 + 1 = 4x2 − 20x + 25 + 1 = 4x2 − 20x + 26

    Repare que o bloco inteiro vai ao quadrado — desenvolver (2x − 5)2 como 4x2 + 25, sem o termo do meio, é o erro clássico aqui.

    (gf)(x) = g(x2 + 1) = 2(x2 + 1) − 5 = 2x2 − 3

    Em x = 1: pela fórmula, 4 − 20 + 26 = 10 e 2 − 3 = −1. Pelo caminho direto, g(1) = −3 e f(−3) = 10 ✔; f(1) = 2 e g(2) = −1 ✔. As duas compostas são diferentes.

  4. Em h(x) = √(3x + 1), o que está dentro do radical é a função de dentro:

    f(x) = 3x + 1 e g(x) = √x, pois g(f(x)) = √(3x + 1).

    Em p(x) = 1 ÷ (x2 + 1), o que está no denominador é a de dentro:

    f(x) = x2 + 1 e g(x) = 1 ÷ x.

    A decomposição não é única; estas são as mais simples.

  5. (gf)(x) = g(1 ÷ x) = √(1 ÷ x)

    Duas condições:

    Domínio de f: x ≠ 0.

    Saída de f aceita por g: 1 ÷ x ≥ 0, o que exige x > 0 (a fração nunca zera, então o "igual" não acrescenta nada).

    D = (0, +∞). A segunda condição já engloba a primeira.

  6. y = 3x − 6. Trocando x por y:

    x = 3y − 6 ⟹ 3y = x + 6

    f−1(x) = (x + 6) ÷ 3, ou x/3 + 2.

    Conferindo pela composição: f(f−1(x)) = 3 · [(x + 6) ÷ 3] − 6 = x + 6 − 6 = x

  7. Domínio de f: o denominador não pode zerar, então D(f) = ℝ − {3}.

    Trocando as variáveis e isolando:

    x = (2y + 1) ÷ (y − 3) ⟹ x(y − 3) = 2y + 1

    xy − 3x = 2y + 1 ⟹ xy − 2y = 3x + 1 ⟹ y(x − 2) = 3x + 1

    f−1(x) = (3x + 1) ÷ (x − 2)

    D(f−1) = ℝ − {2}, e como domínio e imagem trocam:

    Im(f) = ℝ − {2} e Im(f−1) = ℝ − {3}.

    Conferindo: f(0) = 1 ÷ (−3) = −1/3, e f−1(−1/3) = (−1 + 1) ÷ (−1/3 − 2) = 0 ÷ (−7/3) = 0 ✔

  8. f: o radicando exige x ≥ 2, então D(f) = [2, +∞). A raiz devolve valores não negativos, e f(2) = 0, logo Im(f) = [0, +∞).

    Trocando as variáveis: x = √(y − 2). Elevando ao quadrado, x2 = y − 2.

    f−1(x) = x2 + 2, com x ≥ 0

    D(f−1) = [0, +∞) e Im(f−1) = [2, +∞) — exatamente a imagem e o domínio de f, trocados.

    A restrição x ≥ 0 não é detalhe: sem ela, x2 + 2 seria uma parábola inteira, que não é injetora e não pode ser inversa de ninguém.

    Conferindo: f(6) = √4 = 2, e f−1(2) = 4 + 2 = 6 ✔

  9. (gf)(x) = g(√(x − 1)) = 1 ÷ (√(x − 1) − 2)

    Primeira condiçãox no domínio de f: x − 1 ≥ 0 ⟹ x ≥ 1.

    Segunda condiçãof(x) no domínio de g, que exige entrada diferente de 2:

    √(x − 1) ≠ 2 ⟹ x − 1 ≠ 4 ⟹ x ≠ 5.

    D = [1, 5) ∪ (5, +∞)

    Quem olha só a fórmula final tende a excluir o 5 e esquecer o x ≥ 1, ou o contrário. As duas condições valem juntas.

  10. A função não é injetora porque a parábola é simétrica em relação ao vértice: xv = 4 ÷ 2 = 2, e por exemplo f(1) = f(3) = 0.

    Completando o quadrado: f(x) = (x − 2)2 − 1, o que confirma o vértice (2, −1).

    Restrição. Tomando x ≥ 2 — de um lado do vértice — a função é crescente e, portanto, injetora. A imagem é [−1, +∞), então

    f: [2, +∞) → [−1, +∞) é bijetora.

    Inversa. Trocando as variáveis em y = (x − 2)2 − 1:

    x = (y − 2)2 − 1 ⟹ (y − 2)2 = x + 1 ⟹ y − 2 = ±√(x + 1)

    Como a restrição exige y ≥ 2, fica o sinal de mais:

    f−1(x) = 2 + √(x + 1), com D = [−1, +∞) e Im = [2, +∞).

    Conferindo: f(3) = 9 − 12 + 3 = 0, e f−1(0) = 2 + √1 = 3 ✔

    A outra restrição possível é x ≤ 2, e aí a inversa seria 2 − √(x + 1). As duas respostas são válidas, desde que a restrição escolhida esteja declarada.

  11. (fg)(x) significa f(g(x)) = 2g(x) − 1. Igualando ao que foi dado:

    2g(x) − 1 = 6x + 3 ⟹ 2g(x) = 6x + 4

    g(x) = 3x + 2

    Conferindo: f(3x + 2) = 2(3x + 2) − 1 = 6x + 4 − 1 = 6x + 3 ✔

    Na outra ordem: (gf)(x) = g(2x − 1) = 3(2x − 1) + 2 = 6x − 1, diferente de 6x + 3 — mais uma confirmação de que a ordem importa.

  12. Primeiro a composta:

    (fg)(x) = f(x − 3) = 2(x − 3) + 1 = 2x − 5.

    Invertendo: x = 2y − 5 ⟹ (fg)−1(x) = (x + 5) ÷ 2

    Agora as inversas separadas:

    f−1(x) = (x − 1) ÷ 2 e g−1(x) = x + 3.

    (g−1f−1)(x) = g−1[(x − 1) ÷ 2] = (x − 1) ÷ 2 + 3 = (x − 1 + 6) ÷ 2 = (x + 5) ÷ 2 — igual à composta invertida.

    (f−1g−1)(x) = f−1(x + 3) = (x + 3 − 1) ÷ 2 = (x + 2) ÷ 2 — diferente.

    Conclusão: (fg)−1 = g−1f−1. A ordem se inverte. Faz sentido: para desfazer "vestir meia e depois sapato", tira-se primeiro o sapato.

Participe hoje.