Impulso e quantidade de movimento

Impulso, quantidade de movimento e o teorema que os liga, mais a conservação do momento em colisões elásticas e inelásticas.

Autor: Eduardo Leitura: 6 min Atualizado em: 2026-09
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Objetivos da aula

  • Calcular a quantidade de movimento de um corpo e o impulso de uma força.
  • Aplicar o teorema do impulso para ligar força, tempo e variação de velocidade.
  • Resolver colisões pela conservação da quantidade de movimento.
  • Separar colisão elástica de inelástica pelo que se conserva em cada uma.

Quantidade de movimento

A quantidade de movimento, também chamada de momento linear, mede o quanto um corpo "carrega" de movimento. Não é só a velocidade: um caminhão a 10 km/h e uma bicicleta a 10 km/h têm a mesma velocidade e consequências bem diferentes numa batida.

p = m · v

  • p — a quantidade de movimento, em quilograma-metro por segundo (kg·m/s);
  • m — a massa do corpo, em quilogramas (kg);
  • v — a velocidade, em metros por segundo (m/s).

É uma grandeza vetorial: tem a mesma direção e o mesmo sentido da velocidade. Em problemas de uma dimensão isso vira uma questão de sinal — escolha um sentido positivo antes de somar qualquer coisa, e corpos que andam para o outro lado entram com sinal negativo.

1.1 Exemplo resolvido

Um carro de 1.000 kg move-se a 20 m/s. Qual a sua quantidade de movimento?

p = 1.000 · 20 = 20.000 kg·m/s

Impulso

O impulso mede o efeito de uma força que atua durante um intervalo de tempo. Não basta saber a força: uma força pequena por muito tempo pode produzir o mesmo efeito que uma força enorme por um instante.

I = F · Δt

  • I — o impulso, em newton-segundo (N·s);
  • F — a força, suposta constante, em newtons (N);
  • Δt — o intervalo de tempo em que a força atua, em segundos (s).

O impulso também é vetorial, com a mesma direção e sentido da força. Quando a força varia ao longo do tempo, o impulso é a área sob o gráfico de força por tempo — a mesma ideia de área que apareceu na cinemática.

2.1 Exemplo resolvido

Um jogador aplica uma força média de 100 N numa bola durante 0,05 s. Qual o impulso aplicado?

I = 100 · 0,05 = 5 N·s

Teorema do impulso

As duas grandezas anteriores estão ligadas por um resultado só, que vale sempre:

I = Δp = m · v − m · v0

Onde Δp é a variação da quantidade de movimento, em kg·m/s, v0 é a velocidade inicial e v a velocidade final, ambas em m/s. Em palavras: o impulso que uma força dá a um corpo é igual à variação da quantidade de movimento dele.

Repare que N·s e kg·m/s são a mesma unidade — o teorema não seria possível se não fossem.

3.1 Por que isso explica o airbag

Numa batida, a variação da quantidade de movimento do passageiro está dada: ele vai de v0 até zero, e ninguém pode mudar isso. Como F · Δt = Δp é fixo, alongar o tempo da parada reduz a força na mesma proporção.

É o princípio do airbag, do capacete, da luva de goleiro e do joelho que você dobra ao cair. Todos fazem a mesma coisa: aumentam Δt para diminuir F.

3.2 Exemplo resolvido

Uma bola de 0,2 kg é chutada e sua velocidade vai de 0 a 20 m/s. Qual o impulso aplicado à bola?

I = Δp = 0,2 · 20 − 0,2 · 0 = 4 N·s

Se o pé ficou em contato com a bola por 0,01 s, a força média foi F = 4 ÷ 0,01 = 400 N — quarenta quilos-força num chute comum.

Conservação da quantidade de movimento

Num sistema isolado — aquele em que a resultante das forças externas é nula — a quantidade de movimento total não muda:

pantes = pdepois

Para dois corpos A e B que colidem, isso vira:

mA · vA + mB · vB = mA · v′A + mB · v′B

Onde vA e vB são as velocidades antes da colisão e vA e vB as velocidades depois, todas em m/s.

O motivo é a terceira lei de Newton: durante a colisão, A empurra B e B empurra A com forças iguais e opostas, pelo mesmo intervalo de tempo. Os impulsos são opostos, se cancelam, e o total não muda.

antes A 2 kg 5 m/s B 3 kg · em repouso depois A 2 m/s B 2 m/s 10 kg·m/s antes · 10 kg·m/s depois
Figura 1. A colisão do exemplo resolvido. O total de 10 kg·m/s se distribui de outro jeito entre os dois corpos, mas continua valendo 10 kg·m/s.

4.1 Exemplo resolvido

Duas esferas, A e B, de massas 2 kg e 3 kg, movem-se em linha reta. A esfera A vem a 5 m/s e a esfera B está em repouso. Após a colisão, A segue no mesmo sentido a 2 m/s. Qual a velocidade de B depois da colisão?

Tomando o sentido inicial de A como positivo e aplicando a conservação:

2 · 5 + 3 · 0 = 2 · 2 + 3 · v′B

10 = 4 + 3 · v′B ⟹ 3 · v′B = 6 ⟹ v′B = 2 m/s

Colisões elásticas e inelásticas

A quantidade de movimento se conserva em qualquer colisão de um sistema isolado — amassada, grudada, explodida, tanto faz. A energia cinética, não. É justamente isso que separa os dois tipos:

Tipo de colisãoQuantidade de movimentoEnergia cinéticaExemplo
Elásticaconservaconservabolas de bilhar, choque entre moléculas de um gás
Inelásticaconservaparte vira calor, som e deformaçãobatida de carro, bola de massa de modelar no chão
Perfeitamente inelásticaconservaperda máximaos corpos saem grudados, com a mesma velocidade

Na colisão perfeitamente inelástica os dois corpos seguem juntos, e a conservação fica com uma incógnita só:

mA · vA + mB · vB = (mA + mB) · v′

Onde v′ é a velocidade comum dos dois depois do choque, em m/s.

A pegadinha de prova é perguntar se "a energia se perdeu". Ela não se perde: vira calor, som e deformação permanente. O que deixa de se conservar é a energia cinética, não a energia total.

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