Objetivos da aula
- Entender o que é carga elétrica e por que ela é quantizada.
- Distinguir os três processos de eletrização.
- Aplicar a conservação da carga e contar elétrons.
O que é carga elétrica
A carga elétrica é uma propriedade das partículas subatômicas, tão fundamental quanto a massa. A diferença é que existe um tipo só de massa, mas dois tipos de carga: positiva e negativa.
A regra que governa tudo:
- cargas de mesmo sinal se repelem;
- cargas de sinais opostos se atraem.
A unidade no Sistema Internacional é o coulomb (C).
Num átomo neutro, o número de prótons (positivos, no núcleo) é igual ao de elétrons (negativos, na eletrosfera). Como os prótons estão presos no núcleo, quem se move numa eletrização é sempre o elétron. Essa frase resolve metade das questões de sinal.
Quantização da carga
A carga não vem em qualquer valor: ela é sempre um múltiplo inteiro da carga elementar e, que é o módulo da carga do elétron e do próton.
e = 1,6 × 10−19 C
Logo, a carga de qualquer corpo é:
Q = n · e
- Q — a carga do corpo, em coulombs (C);
- n — o número de elétrons em falta ou em excesso, um inteiro;
- e — a carga elementar, 1,6 × 10−19 C.
Repare na ordem de grandeza: para acumular 1 C seria preciso um desequilíbrio de mais de 6 × 1018 elétrons. É por isso que as cargas de eletrostática aparecem quase sempre em microcoulombs (µC) ou nanocoulombs (nC).
Conservação da carga
Num sistema isolado, a carga elétrica total não muda. Ela não é criada nem destruída — apenas transferida de um corpo para outro.
Quando você esfrega um balão no cabelo e o balão fica negativo, o cabelo fica positivo na mesma quantidade. A soma continua a mesma de antes.
Os três processos de eletrização
Um corpo neutro pode ficar carregado de três maneiras.
4.1 Atrito
Dois materiais diferentes são esfregados e um deles arranca elétrons do outro. Os dois ficam carregados com sinais opostos e cargas de mesmo módulo.
É o caso do balão no cabelo, e da régua de plástico esfregada no tecido que passa a atrair pedacinhos de papel.
4.2 Contato
Um corpo carregado encosta num neutro (ou noutro carregado) e a carga se redistribui entre os dois. Depois da separação, ambos ficam com cargas de mesmo sinal.
Se os dois corpos forem idênticos, a carga total se divide igualmente entre eles — esse é o formato mais comum da questão de prova.
4.3 Indução
Um corpo carregado (o indutor) é aproximado sem encostar num corpo neutro (o induzido). O campo do indutor separa as cargas do induzido: as de sinal oposto se acumulam do lado próximo, e as de mesmo sinal vão para o lado distante.
Se, com o indutor ainda perto, o induzido for ligado à Terra por um instante e depois desligado, ele fica com carga de sinal contrário ao do indutor.
A diferença que cai em prova
No contato, os corpos terminam com cargas de mesmo sinal. Na indução com aterramento, terminam com sinais opostos — e o indutor não perde carga nenhuma, porque nunca houve contato.
A indução também explica por que um corpo carregado atrai um neutro: ele separa as cargas do neutro, e a parte atraída fica mais perto que a repelida. É o que acontece com os pedacinhos de papel.
Condutores e isolantes
- Condutores — têm elétrons livres, que se movem pelo material. Metais, soluções iônicas, o corpo humano. Num condutor, o excesso de carga se espalha pela superfície.
- Isolantes (ou dielétricos) — os elétrons ficam presos aos átomos. Plástico, vidro, borracha, ar seco. A carga fica onde foi colocada.
É por isso que a eletrização por atrito funciona tão bem com plástico e tão mal com metal segurado na mão: no metal, a carga escoa pelo seu corpo até o chão.
Exemplo resolvido
Um corpo inicialmente neutro perde 5 × 1012 elétrons. Qual a sua carga final?
Primeiro o módulo, por Q = n · e:
Q = 5 × 1012 · 1,6 × 10−19 = 8 × 10−7 C
Agora o sinal. O corpo perdeu elétrons, que são as partículas negativas. Ficando com menos carga negativa do que positiva, ele fica positivo:
Q = +8 × 10−7 C (ou +0,8 µC)
O erro de sinal mais comum de toda a eletrostática
Perdeu elétrons ⟹ ficou positivo. Ganhou elétrons ⟹ ficou negativo.
É contraintuitivo justamente porque a carga do elétron é negativa — tirar algo negativo deixa o saldo positivo. Vale conferir o sinal depois de calcular o módulo, em vez de arrastar o menos pela conta.
Onde isso aparece
- Para-raios — a carga acumulada nas nuvens encontra um caminho de baixa resistência até a Terra, protegendo a estrutura.
- Choque ao descer do carro — atrito entre a roupa e o banco carrega você; a descarga acontece ao tocar a lataria.
- Pintura eletrostática e impressoras a laser — a tinta é carregada para aderir à superfície de carga oposta.