Objetivos da aula
- Definir onda e separar ondas mecânicas de eletromagnéticas.
- Identificar amplitude, frequência, período e comprimento de onda num gráfico.
- Aplicar a equação fundamental da ondulatória.
- Explicar interferência e difração — os dois fenômenos que provam que a luz é onda.
O que é uma onda
Uma onda é uma perturbação que se propaga transportando energia sem transportar matéria. Essa última parte é a definição inteira: a rolha que boia no mar sobe e desce quando a onda passa, mas não viaja com ela até a praia.
As ondas se dividem em dois grandes grupos:
- Ondas mecânicas — precisam de um meio material para se propagar. Som, ondas na água, ondas numa corda. No vácuo, não existem: é por isso que uma explosão no espaço seria silenciosa.
- Ondas eletromagnéticas — propagam-se tanto num meio material quanto no vácuo. Luz, micro-ondas, ondas de rádio, raios X.
Na óptica física, a luz é tratada como onda eletromagnética. É uma mudança de ponto de vista em relação à óptica geométrica, que trata a luz como raio: o modelo de raio explica sombra, espelho e lente, mas não dá conta dos fenômenos das duas últimas seções desta aula.
Propriedades de uma onda
- Amplitude (A) — o afastamento máximo em relação à posição de equilíbrio. Está ligada à intensidade da onda: no som é o volume, na luz é o brilho.
- Frequência (f) — o número de oscilações completas por unidade de tempo, em hertz (Hz). Um hertz é uma oscilação por segundo.
- Período (T) — o tempo de uma oscilação completa, em segundos (s).
- Comprimento de onda (λ) — a distância entre dois pontos consecutivos em fase, em metros (m).
- Velocidade de propagação (v) — a rapidez com que a perturbação avança no meio, em metros por segundo (m/s).
Frequência e período são um o inverso do outro:
T = 1 ÷ f
E a relação que amarra tudo, chamada de equação fundamental da ondulatória:
v = f · λ
Onde v está em m/s, f em hertz (Hz) e λ em metros (m).
Há uma consequência importante escondida aí. Quando uma onda passa de um meio para outro, a frequência não muda — ela é determinada pela fonte. O que muda é a velocidade, e portanto o comprimento de onda se ajusta. A luz que entra na água continua tendo a mesma cor.
2.1 Exemplo resolvido
Uma onda de rádio tem frequência de 100 MHz. Qual o seu comprimento de onda, sabendo que ela se propaga a 3 × 108 m/s?
Primeiro a frequência em hertz: 100 MHz = 100 × 106 Hz = 108 Hz.
λ = v ÷ f = 3 × 108 ÷ 108 = 3 m
Três metros — daí o tamanho das antenas de FM. Antena de rádio tem o tamanho que tem por causa dessa conta.
O espectro eletromagnético
Ondas eletromagnéticas são formadas por campos elétricos e magnéticos que oscilam perpendicularmente entre si e à direção de propagação. Todas viajam no vácuo à mesma velocidade, c = 3 × 108 m/s — a velocidade da luz.
O que as diferencia é apenas a frequência. A luz visível é uma faixa estreitíssima desse espectro:
| Faixa | Comprimento de onda | Onde aparece |
|---|---|---|
| Ondas de rádio | km a cm | rádio, TV, celular |
| Micro-ondas | cm a mm | forno, radar, wi-fi |
| Infravermelho | mm a 700 nm | controle remoto, câmera térmica |
| Luz visível | 700 a 400 nm | do vermelho ao violeta |
| Ultravioleta | 400 a 10 nm | queimadura de sol, esterilização |
| Raios X | 10 a 0,01 nm | radiografia |
| Raios gama | menor que 0,01 nm | radioterapia, decaimento nuclear |
Descendo a tabela, o comprimento de onda diminui e a frequência aumenta — e com ela a energia transportada. É por isso que raios X e gama são ionizantes e ondas de rádio não são, mesmo sendo o mesmo tipo de onda.
Interferência
Quando duas ondas se encontram num mesmo ponto, elas se somam: o deslocamento resultante é a soma dos deslocamentos de cada uma. Isso se chama princípio da superposição, e o fenômeno que resulta dele é a interferência.
- Interferência construtiva — as ondas chegam em fase, crista com crista. As amplitudes se somam e o resultado é uma onda mais intensa.
- Interferência destrutiva — as ondas chegam em oposição de fase, crista com vale. As amplitudes se subtraem; se forem iguais, o resultado é zero.
Interferência é a prova experimental de que a luz é onda: partículas não se cancelam mutuamente. Duas fendas iluminadas por uma fonte só produzem na parede um padrão de faixas claras e escuras — as escuras são pontos onde a luz de uma fenda anula a da outra. Foi esse experimento, feito por Thomas Young em 1801, que estabeleceu o caráter ondulatório da luz.
Você vê interferência todo dia nas cores de uma bolha de sabão e na mancha colorida de uma poça de óleo: a luz refletida na face de cima interfere com a refletida na face de baixo, e a espessura do filme decide qual cor se reforça.
Difração
A difração é a capacidade que uma onda tem de contornar obstáculos e se espalhar ao passar por uma abertura, em vez de seguir em linha reta como faria um projétil.
O efeito só é perceptível quando o obstáculo ou a fenda tem tamanho comparável ao comprimento de onda. Essa condição explica por que a difração parece óbvia em alguns casos e invisível em outros:
- O som tem comprimento de onda da ordem de metros, próximo do tamanho de uma porta. Por isso você ouve alguém conversando no corredor mesmo sem ver a pessoa: o som contorna o batente.
- A luz visível tem comprimento de onda de centenas de nanômetros — milhões de vezes menor que uma porta. Ela praticamente não contorna obstáculos do dia a dia, e por isso as sombras têm borda definida e a óptica geométrica funciona tão bem.
- Passando por uma fenda muito estreita, porém, a luz se espalha e forma franjas. É difração — e é também o que limita a resolução de qualquer microscópio ou telescópio.
Interferência e difração são os dois fenômenos que a óptica geométrica não consegue explicar. É exatamente por causa deles que existe a óptica física.