Planilha de universidades

279 universidades americanas com o custo que um brasileiro deve esperar pagar, quanto auxílio elas dão a estrangeiro e quão difícil é entrar.

Esta é a pergunta que a tabela responde: quanto você, brasileiro, deve esperar pagar em cada uma destas universidades: não o preço de tabela, e não o preço de quem ganha a bolsa cheia, mas o valor esperado, já descontada a chance de receber auxílio.

São 279 universidades, cada uma com uma nota de qualidade calculada por nós, o custo que um brasileiro deve esperar pagar e quanto auxílio ela dá a estrangeiro. Vão de Berea, onde o custo esperado é de US$ 2 mil, a Georgetown, onde passa de US$ 86 mil.

Use a busca para achar uma faculdade específica, os botões de tipo para ficar só no que interessa a você, e o cabeçalho de qualquer coluna para reordenar.

Tipo:

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Universidade Nota Lumen Custo esperado Recebem auxílio Generosidade Aceitação Ganho
Como ler a tabela, o que é a Nota Lumen e onde estão os outros rankings

Clique numa linha para ver as três notas destrinchadas, custo cheio, mensalidade, faixa de SAT e matrícula. A faixa da Nota Lumen é sempre dentro do próprio tipo de instituição: "top 5" numa faculdade de graduação significa entre as cinco melhores das 86 desse grupo, e não entre as 279 da tabela.

Como ler a tabela

Três das colunas são contas nossas, e não números que a universidade publica. Vale entender o que cada uma faz, porque é fácil olhar a coluna errada e tirar a conclusão oposta.

Custo esperado

custo esperado = custo total × (1 − % que recebem × auxílio como % do custo)

Quanto você deve esperar pagar, e não quanto pagaria se ganhasse a bolsa.

A diferença não é sutil. Georgetown cobre 83% do custo dos estrangeiros que contempla, o que parece excelente, até você ver que ela contempla 2,4% deles. Pela conta ingênua, "custo depois do auxílio médio", Georgetown aparece entre as dez mais baratas do país. Pela conta correta, ela é a última de 264.

Generosidade

generosidade = √( % que recebem × auxílio como % do custo )

Um índice de 0 a 100 que mede o quanto a instituição banca estudante estrangeiro. Ele só fica alto quando os dois números são altos: muita gente recebendo e uma fatia grande do custo coberta.

É uma média geométrica, e essa escolha é o coração da medida. A média comum deixaria um número grande resgatar um número minúsculo: Georgetown, com 2,4% recebendo e 83% coberto, daria 42,7 na média comum, o que parece razoável. Na geométrica dá 14,1, que é a verdade.

Para comparar: Berea 98, Washington and Lee 85, Amherst 83, Harvard 81, Yale 65, Stanford 49, Georgetown 14.

Recebem auxílio

A fração dos estudantes internacionais que recebe alguma ajuda da própria universidade. Nunca leia o custo sem olhar esta coluna.

É o que separa duas linhas que parecem iguais: a Cal State Los Angeles e o Providence College chegam a custos esperados parecidos, mas a primeira dá auxílio a 2% dos internacionais e o segundo a 94%. Na prática são situações opostas.

Nota Lumen

Este ranking é nosso. Não é o US News, não é nenhum ranking mundial. É uma metodologia própria, montada com dados públicos e gratuitos do IPEDS, e você pode conferir cada conta.

Ele existe porque os rankings gratuitos que circulam medem pesquisa: prêmios, artigos, citações. Isso apaga os liberal arts colleges, que costumam ser as melhores opções de graduação e as mais generosas com estrangeiro. Dos vinte principais, os rankings mundiais listam um ou dois.

A nota combina duas medidas:

nota = 0,4 × Ensino + 0,6 × Permanência

  • Ensino: alunos por professor e quanto a instituição gasta com ensino por aluno. O IPEDS separa gasto com ensino de gasto com pesquisa, e é isso que desarma o viés: Williams gasta US$ 50.561 por aluno em ensino, à frente de Harvard.
  • Permanência: quantos alunos ficam depois do primeiro ano e quantos se formam em seis.

Permanência pesa mais porque gasto é o que entra e permanência é o que sai. Quando as duas discordam, o que sai é a evidência melhor: uma faculdade que forma bem gastando pouco está acertando, não fracassando.

Cada nota compara a faculdade só com as do próprio tipo, pela classificação Carnegie: universidades de pesquisa, faculdades de graduação (os liberal arts colleges e institutos pequenos como Olin e Babson) e instituições de ensino e mestrado. Comparar uma pública de 30 mil alunos com um college de 2 mil na mesma régua não diria nada, porque a mediana de gasto por aluno é US$ 17 mil numa e US$ 24 mil na outra.

Universidades com faculdade de medicina têm o gasto por aluno descontado por um fator de 1,45, medido nos próprios dados. Sem isso, o ranking de ensino virava uma lista de quem tem hospital-escola, o que não diz nada a quem vai fazer graduação.

Ganho: a coluna que nenhum ranking tem

Formatura e retenção dependem muito de quem a faculdade admite: a taxa de formatura correlaciona 0,81 com o SAT dos alunos. Um ranking feito só com esses números diria apenas "quem admite aluno bom tem aluno bom".

O Ganho mede outra coisa: quanto a faculdade forma além do que o perfil de entrada previa, considerando o SAT e a proporção de alunos de baixa renda. Ele fica de fora da nota, exibido à parte, porque somá-lo faria as outras duas o engolirem.

É o que revela, por exemplo, que Berea forma 62% dos alunos quando o esperado seria 47%: com 81% de bolsistas de baixa renda. Ou que a Florida International e a Montclair State entregam muito acima do previsto, coisa que ranking nenhum registra.

Quatorze faculdades da tabela não têm nota de Ganho porque deixaram de informar SAT, e sem isso não dá para prever nada. O campo aparece vazio em vez de chutado.

Por que faixas e não posições

A tabela diz "top 20", e não "17º lugar". A diferença entre o 17º e o 21º está dentro do ruído dos dados, e imprimir uma posição exata sugere uma precisão que esta nota (ou qualquer outra) não tem.

Use o ranking para descartar, não para escolher. Ele serve para você perceber que uma faculdade que nunca ouviu falar está no top 10 do tipo dela. Não serve para decidir entre a 12ª e a 15ª.

O que a nota não mede

  • Nada sobre a sala de aula. Ela mede o que acontece com quem entra, e não se a aula é boa.
  • Retenção e formatura são dominadas por alunos americanos. A experiência de um internacional pode ser bem diferente.
  • Gasto por aluno se confunde com riqueza. Instituição rica gasta mais, e isso nem sempre chega ao aluno.
  • Não há nota de curso. Uma faculdade mediana no geral pode ter o melhor departamento do país no que você quer fazer.

As outras colunas

  • Custo total: mensalidade, taxas, moradia, comida, livros e despesas pessoais durante um ano letivo. Em universidade pública usamos sempre a tarifa de fora do estado, que é a que estrangeiro paga: na UCLA são US$ 44.524 contra US$ 13.747 de quem mora na Califórnia.
  • Aceitação: a taxa geral, de todos os candidatos. A taxa só para internacionais é quase sempre menor, e pouquíssimas universidades a divulgam.
  • Internacionais: que fatia da graduação vem de fora dos Estados Unidos.
  • Faixa de SAT: os percentis 25 e 75 de quem está matriculado. Metade dos alunos está dentro dessa faixa, um quarto abaixo e um quarto acima. Faculdades test-blind e muitas test-optional pararam de informar, e nesse caso o campo fica vazio.

Outros rankings, e para que cada um serve

A Nota Lumen responde uma pergunta só: a instituição investe no aluno de graduação e ele fica e se forma? Isso é pouco para escolher faculdade. Abaixo estão os rankings que vale consultar, com o que cada um faz bem e onde cada um falha.

OndeServe paraRessalva
US News O mais citado nos Estados Unidos. Tem listas separadas de universidades nacionais e de liberal arts colleges, ranking por curso (engenharia, negócios, computação, enfermagem) e, o mais útil aqui, Best Undergraduate Teaching, que é uma lista votada por reitores sobre quem leva o ensino de graduação a sério. Boa parte do peso vem de reputação entre administradores, o que premia quem já é famoso. Faculdade pequena e boa demora a aparecer.
Niche Mistura dados oficiais com avaliação de alunos. É a melhor fonte para o que nenhum dado oficial captura: qualidade dos professores, moradia, comida, segurança, vida no campus e se as pessoas são felizes ali. Também tem ranking por curso. Avaliação é voluntária, então faculdade com aluno engajado sai favorecida. Leia as notas por categoria, não a nota geral.
Washington Monthly Ranqueia por mobilidade social, pesquisa e serviço público, ou seja, pelo que a faculdade faz por alunos de baixa renda. É o parente mais próximo da nossa coluna de Ganho, e é gratuito. Ignora completamente prestígio e satisfação do aluno. Uma faculdade pode subir muito ali e ser um lugar ruim de estudar.
College Scorecard Do governo americano, gratuito e sem ranking: mostra salário mediano por curso alguns anos depois da formatura, além de custo e dívida. Serve para comparar retorno entre cursos de uma mesma faculdade. Os salários são de quem trabalha nos Estados Unidos. Para quem pretende voltar ao Brasil, o número diz pouco.
Princeton Review Listas temáticas montadas por pesquisa com alunos, entre elas Best Professors e Best Classroom Experience. É o mais próximo de perguntar "como é a aula aqui?". Amostra pequena por faculdade e sem transparência de método. Vale como indício, não como medida.

Se você só for olhar dois

Olhe o ranking por curso do US News ou do Niche, porque a diferença entre departamentos dentro da mesma faculdade costuma ser maior que a diferença entre faculdades, e o Niche por categoria, que responde o que nenhum dado oficial responde: como é viver ali.

E desconfie de qualquer ranking, inclusive do nosso, que prometa ordenar faculdades de 1 a 100 sem dizer segundo qual critério.

As faixas de dificuldade

A tabela foi montada para que você consiga formar uma lista com níveis diferentes, que é o conselho central desta seção, e não dez faculdades igualmente improváveis. Os nomes das faixas vêm da taxa de aceitação geral:

  • Sonho: aceita menos de 15%
  • Difícil: de 15% a 30%
  • Média: de 30% a 50%
  • Provável: de 50% a 70%
  • Segura: aceita mais de 70%

Uma faixa fácil não significa entrada garantida para estrangeiro, e nenhuma delas diz nada sobre conseguir o dinheiro. As duas coisas são decididas separadamente, e a segunda costuma ser a mais difícil.

De onde vêm os números

Matrícula, internacionais, custo, mensalidade, taxa de aceitação e faixas de SAT vêm do IPEDS, o sistema oficial de dados do Departamento de Educação americano, coleta de 2023. São dados públicos e gratuitos.

As colunas de auxílio a internacional (quantos recebem e que fatia do custo é coberta) vêm de um levantamento de 2018. Não existe base pública que reúna isso: cada universidade publica o próprio Common Data Set, em PDF, no próprio site. É o que estamos migrando aos poucos.

Na prática isso significa que o custo está atualizado e a política de auxílio pode ter mudado. Antes de montar sua lista de verdade, confirme na página de financial aid de cada universidade. Se encontrar divergência, escreva para rafael@lumenedu.com.br. A correção entra no mesmo dia.

Berea e o motivo de nunca olhar só o custo

Berea College aparece com custo total de US$ 60.718 e custo esperado de US$ 2.166. Não é erro: a faculdade cobre a mensalidade de todos os admitidos, e o preço de tabela existe só para efeito contábil. É o exemplo mais extremo de por que preço cheio, sozinho, não diz nada.

⬇ Baixar a tabela em CSV

O arquivo abre no Excel e traz as universidades com todas as colunas, inclusive as que não cabem na tela.

Participe hoje.