Coesão referencial

Como o texto volta ao que já disse: pronomes, sinônimos, expressões nominais e elipse, e os erros de referência ambígua ou sem referente que mais caem em prova.

Autor: Lumen Edu Leitura: 17 min Atualizado em: 2026-09
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Objetivos da aula

  • Descobrir a que termo um pronome ou uma expressão se refere.
  • Retomar uma ideia sem repetir a mesma palavra.
  • Usar corretamente este, esse, aquele, onde e cujo.
  • Reconhecer e corrigir a referência ambígua e o pronome sem referente.

O que é coesão referencial

Quem escreve precisa mencionar a mesma pessoa, o mesmo objeto ou a mesma ideia várias vezes ao longo de um texto. Se repetir sempre a mesma palavra, o texto fica cansativo; se trocar a palavra sem cuidado, o leitor perde o fio e não sabe mais de quem se está falando. A coesão referencial é o conjunto de recursos que resolve esse problema: são as formas de voltar a algo já mencionado sem deixar dúvida sobre o que está sendo retomado.

Dois nomes ajudam a falar disso. O referente é aquilo de que o texto fala, a pessoa ou a coisa mencionada. A retomada é a palavra ou expressão usada depois para voltar a ele.

O prefeito reformou a biblioteca. Ela agora abre aos domingos.

A palavra “ela” retoma “a biblioteca”. Você entende isso sem esforço, e vale perceber por quê: “ela” é feminino e singular, e na frase anterior só existe um termo feminino e singular. O prefeito, masculino, fica de fora. Esse raciocínio, que o leitor faz de forma automática, é o mesmo que você vai fazer de forma consciente nas questões de prova.

1.1 Para trás e para a frente

Na maioria das vezes, o referente aparece primeiro e a retomada vem depois, como no exemplo acima. Os livros chamam esse caso de anáfora. Às vezes acontece o contrário: a palavra aparece antes e anuncia algo que o texto ainda vai dizer. Esse caso se chama catáfora.

O problema da escola é este: falta professor de química.

Aqui, “este” não retoma nada que veio antes. Ele prepara o leitor para o que vem depois dos dois-pontos. Os dois nomes aparecem em enunciados de vestibular, então vale reconhecê-los, mas o que a questão cobra de verdade é saber a que termo a palavra se liga.

Existem quatro maneiras de fazer a retomada: com um pronome, com outra palavra que se refira à mesma coisa, com uma expressão que resume o que foi dito ou simplesmente omitindo o termo. As próximas seções tratam de cada uma.

Retomada por pronome

O pronome é a forma mais econômica de retomar, e também a que mais causa problema. Ele carrega pouca informação: em geral, só indica se o referente é masculino ou feminino, singular ou plural. Quando a frase tem dois termos com o mesmo gênero e o mesmo número, o pronome sozinho não diz qual deles está sendo retomado.

2.1 Pessoais e possessivos

Os pronomes pessoais (ele, ela, eles, elas) e suas formas oblíquas (o, a, os, as, lhe, lhes) ocupam o lugar de pessoas e coisas já citadas. As formas oblíquas aparecem no lugar do complemento do verbo:

A professora corrigiu as provas e as devolveu na sexta.

O “as” antes de “devolveu” retoma “as provas”: a professora devolveu as provas. Sem ele, seria preciso repetir o substantivo ou deixar a frase sem complemento.

Os possessivos (seu, sua, dele, dela) pedem atenção especial. O “seu” pode significar “de você”, como em “seu livro está aqui”, ou “dele” e “dela”, como em “o autor lançou seu livro”. Quando há duas pessoas na frase, ele pode se referir a qualquer uma delas, e essa é a origem mais comum de ambiguidade em texto escrito. A seção 6 volta a esse ponto.

2.2 Este, esse e aquele

Na norma padrão, os demonstrativos dividem o trabalho de acordo com a posição do referente no texto. Este (esta, isto) aponta para o que vai ser dito a seguir. Esse (essa, isso) aponta para o que já foi dito. Quando o texto menciona dois elementos e precisa retomar cada um separadamente, aquele retoma o que foi citado primeiro, que está mais longe, e este retoma o que foi citado por último, que está mais perto.

PronomeFunçãoExemplo
este, esta, istoanuncia o que vem a seguirA regra é esta: sem celular na prova.
esse, essa, issoretoma o que já foi ditoFaltou luz. Isso atrasou a prova.
aquele e este, em paraquele retoma o mais distante; este, o mais próximoAna e Rui passaram; aquela em medicina, este em direito.

Na fala, e até em jornais, as pessoas trocam este por esse o tempo todo, e ninguém deixa de entender. Em questão de norma padrão, porém, a distinção da tabela é a que vale, e ela costuma aparecer em alternativas de reescrita.

2.3 Que, o qual, onde e cujo

Os pronomes relativos fazem duas coisas ao mesmo tempo: retomam o termo que vem logo antes e começam uma nova oração, que dá mais informação sobre ele. Em “o livro que caiu na prova”, o “que” retoma “o livro” e abre a oração “que caiu na prova”, que diz de qual livro se trata.

O que é o mais usado e serve para quase tudo. O o qual (a qual, os quais, as quais) é útil quando há risco de confusão, porque mostra gênero e número. Em “conversei com o filho da vizinha, o qual estuda medicina”, a forma masculina deixa claro que quem estuda medicina é o filho. Com “que” no lugar, a frase poderia se referir à vizinha.

O onde só deve retomar lugar físico. “A cidade onde nasci” está correto, porque cidade é lugar. “A reunião onde decidimos o orçamento” não está, porque reunião é um acontecimento, e não um lugar; nesse caso, use em que ou na qual. Esse é um dos desvios mais cobrados em questão de norma.

O cujo indica posse e liga o possuidor à coisa possuída: “o aluno cujo caderno sumiu” quer dizer “o aluno de quem sumiu o caderno”. Ele concorda com a coisa possuída (cujo caderno, cuja mochila, cujos livros) e nunca vem seguido de artigo. “Cujo o caderno” é erro, porque o artigo repete uma informação que o próprio cujo já dá.

2.4 Exemplo resolvido

Corrija a frase: “Foi um debate onde os candidatos cujas as propostas eram parecidas brigaram muito.”

A frase tem dois problemas. O primeiro é o “onde”, que retoma “debate”; como debate não é lugar, ele deve ser trocado por em que. O segundo é o “cujas as”: o artigo sobra, porque cujas já liga as propostas aos candidatos.

Foi um debate em que os candidatos cujas propostas eram parecidas brigaram muito.

Retomada por sinônimo e por palavra mais geral

Em vez de um pronome, dá para retomar o referente com outra palavra que se refira à mesma coisa. A forma mais simples é o sinônimo, uma palavra de sentido equivalente: “o carro” pode ser retomado por “o automóvel”.

Muitas vezes, a retomada é feita por uma palavra de sentido mais amplo, que inclui o referente. Um tucano é um tipo de ave, a soja é um tipo de grão, um prefeito é um tipo de político. Por isso “o tucano” pode ser retomado por “a ave”, e “a soja” por “o grão”. O nome técnico dessa palavra mais ampla é hiperônimo, e ele aparece em algumas questões.

Aqui a direção faz diferença. A palavra mais geral pode retomar a mais específica, mas o contrário não funciona. Compare as duas versões:

Um tucano pousou no muro. A ave ficou ali uma hora.

Uma ave pousou no muro. O tucano ficou ali uma hora.

Na primeira, o leitor já sabe que se trata de um tucano, e “a ave” só volta a ele. Na segunda, o leitor sabia apenas que era uma ave qualquer. Quando aparece “o tucano”, ele recebe uma informação nova e não tem como saber se é o mesmo pássaro ou outro que chegou depois.

Também é possível retomar alguém por uma característica conhecida. Num texto sobre literatura, “Machado de Assis” pode ser retomado por “o autor de Dom Casmurro”. Isso funciona quando o leitor tem essa informação. Para quem não tem, parece que o texto passou a falar de outra pessoa, então use esse recurso com cuidado em textos para um público amplo.

3.1 Exemplo resolvido

Reescreva o trecho sem repetir “o rio Tietê”:

O rio Tietê atravessa São Paulo. O rio Tietê já foi usado para natação. Hoje o rio Tietê está muito poluído na capital.

Uma versão possível:

O rio Tietê atravessa São Paulo. Já foi usado para natação, mas hoje, na capital, esse curso d'água está muito poluído.

Na segunda frase, o sujeito foi omitido, e “já foi usado” só pode se referir ao rio, que é o assunto do trecho. Na terceira, entrou uma expressão mais geral, “esse curso d'água”. Um pronome também resolveria (“ele já foi usado para natação”). O que deve ser evitado é o que o original fazia: repetir a mesma expressão em três frases seguidas sem necessidade.

Retomada por expressão nominal

A terceira forma de retomar é usar um substantivo acompanhado de artigo ou demonstrativo, como “essa decisão”, “o problema” ou “a medida”. Os livros chamam isso de expressão nominal. Ela é mais longa que um pronome, mas faz duas coisas que o pronome não faz: resume um trecho inteiro e pode dar uma opinião sobre o que está sendo retomado.

4.1 Resumir um trecho

O governo cortou a verba das bolsas e fechou dois laboratórios. A medida provocou protestos.

“A medida” não se refere a uma única palavra da frase anterior. Ela resume as duas ações do governo, cortar a verba e fechar os laboratórios, e as transforma num único elemento sobre o qual o texto pode continuar falando. Esse recurso, que alguns livros chamam de encapsulamento, é muito usado em jornal e em redação, porque permite passar de uma ideia a outra sem repetir tudo o que foi dito.

Ele exige cuidado na escolha do substantivo. “A medida” funciona porque cortar verba e fechar laboratório são decisões de governo. Se o autor escrevesse “o acidente”, a retomada não faria sentido, porque nada do que foi dito foi acidental.

Onde se erra

Quando a questão pergunta a que se refere uma expressão como “essa situação” ou “tal medida”, a resposta pode ser uma frase inteira, ou até um parágrafo, e não a palavra mais próxima. Quem procura só um substantivo tende a marcar a alternativa que menciona “os laboratórios”, que é apenas metade da medida.

4.2 Opinar enquanto retoma

O deputado votou contra o projeto. O corajoso parlamentar disse que…

O deputado votou contra o projeto. O teimoso parlamentar disse que…

Nos dois casos, o referente é o mesmo deputado. O que muda é a avaliação: “corajoso” apresenta o voto como uma atitude admirável, e “teimoso”, como uma insistência sem razão. O autor não precisou escrever que o deputado agiu bem ou mal, porque a escolha da palavra na retomada já transmitiu a opinião. Em questão de leitura, observar essas escolhas é uma das formas mais seguras de identificar a posição de um texto que se apresenta como neutro, como uma notícia.

4.3 Exemplo resolvido

O que “essa estratégia” retoma no trecho abaixo?

Para reduzir as faltas, a escola passou a ligar para a família no primeiro dia de ausência e a oferecer reforço a quem volta. Essa estratégia foi copiada por outras escolas da região.

“Essa estratégia” retoma o conjunto das duas ações da escola: ligar para a família no primeiro dia de falta e oferecer reforço a quem volta. Ela não retoma “reduzir as faltas”, porque isso é o objetivo das ações, e não a estratégia usada para alcançá-lo. A diferença entre o objetivo e o meio é o tipo de detalhe que separa a alternativa certa das erradas.

Elipse: quando a melhor retomada é nenhuma

Às vezes o texto retoma um termo sem escrever palavra nenhuma. Na elipse, o termo é omitido porque o leitor consegue recuperá-lo pelo contexto. Em português isso acontece o tempo todo com o sujeito, já que a terminação do verbo indica a pessoa e o número.

Os alunos chegaram cedo. Sentaram na primeira fila e abriram os cadernos.

“Sentaram” e “abriram” não têm sujeito escrito, mas a terminação -aram indica terceira pessoa do plural, e o único termo com essas características é “os alunos”. O texto evitou repetir “os alunos” duas vezes sem criar dúvida nenhuma. É o recurso mais econômico que existe e, bem usado, deixa o texto mais leve.

5.1 Quando a elipse falha

Marcos encontrou o irmão na saída do show. Estava muito cansado.

Aqui a terminação do verbo não ajuda. “Estava” está na terceira pessoa do singular, e tanto Marcos quanto o irmão são terceira pessoa do singular. O leitor não tem como saber quem estava cansado. Quando isso acontece, a solução é nomear: “O irmão estava muito cansado.”

Os dois erros que a prova cobra

Quase todas as questões sobre coesão referencial giram em torno de dois problemas: a retomada que serve para mais de um termo e a retomada que não serve para nenhum.

6.1 Referente ambíguo

O técnico conversou com o jogador sobre o seu contrato.

O contrato pode ser do técnico ou do jogador, e as duas leituras fazem sentido. O leitor não tem como decidir, e o autor provavelmente nem percebeu o problema, porque sabia do que estava falando. Para corrigir, troque o pronome por uma palavra que só caiba num dos candidatos, ou reorganize a frase. Se o contrato é do jogador, uma saída é “O técnico conversou com o jogador sobre o contrato do atleta”, já que técnico não é atleta. Se o contrato é do técnico, uma saída é “O técnico falou do próprio contrato com o jogador”, porque “próprio” remete ao sujeito da frase.

6.2 Retomada sem referente

A escola não tem quadra, e por isso eles jogam bola na rua.

O pronome “eles” não tem a que se referir, porque nenhum grupo de pessoas foi mencionado antes. Numa conversa, isso não atrapalha: quem fala e quem ouve estão diante da mesma situação e sabem que “eles” são os alunos. No texto escrito, o leitor só conta com o que está na página. A correção é nomear: “e por isso os alunos jogam bola na rua”.

O mesmo problema aparece com o “isso” usado no fim de um parágrafo longo para retomar, de forma vaga, tudo o que foi dito. Faça um teste: se você não consegue dizer em poucas palavras o que o “isso” retoma, o leitor também não vai conseguir. Nesse caso, troque o pronome por uma expressão que nomeie a ideia, como “esse aumento de preços” ou “essa falta de fiscalização”.

O teste que resolve a maioria das questões

Troque a retomada pelo termo que você acha que ela retoma e releia a frase. Se o sentido continuar o mesmo, você encontrou o referente. Se a frase ficar estranha, o referente é outro. Se dois termos diferentes couberem e as duas leituras fizerem sentido, a frase é ambígua.

Os quatro recursos lado a lado

RecursoExemploCuidado
PronomeEla agora abre aos domingos.só indica gênero e número, e a ambiguidade aparece fácil
Sinônimo ou palavra mais geralo tucano… a avea palavra geral retoma a específica, e não o contrário
Expressão nominalA medida provocou protestos.pode resumir um trecho inteiro e revelar opinião
ElipseSentaram na primeira fila.falha quando há dois candidatos

Esses recursos aparecem na prova de duas formas. Na leitura, em toda questão que pergunta a que se refere um termo destacado. Na redação do Enem, a competência 4 avalia o uso dos mecanismos de coesão, e tanto a repetição excessiva de palavras quanto o pronome sem referente claro tiram pontos do texto nessa competência.

Exercícios

  1. Leia: “Os vereadores aprovaram a nova ciclovia. Ela deve ficar pronta em junho.” A que termo “Ela” se refere? Como você sabe?

  2. Em “Um tucano pousou no muro da escola. A ave ficou ali quase uma hora.”, qual é o referente de “A ave”? Que tipo de retomada é essa?

  3. Em “Os alunos do terceiro ano organizaram a feira de ciências. Montaram vinte estandes e receberam os pais no sábado.”, qual é o sujeito de “Montaram” e de “receberam”? Que recurso de coesão foi usado?

  4. Complete com o demonstrativo adequado à norma padrão: (a) “A dúvida era ___: medicina ou enfermagem?” (b) “Medicina ou enfermagem? ___ era a dúvida.”

  5. Leia: “A cidade enfrentou três enchentes em um ano e perdeu metade das pontes. Esse cenário levou a prefeitura a rever o plano de obras.” O que a expressão “Esse cenário” retoma?

  6. Complete com aquele e este, flexionados, de modo que Carla escolha arquitetura e Diego escolha história: “Carla e Diego se inscreveram no vestibular; ___ escolheu arquitetura, ___, história.”

  7. O trecho do exercício 2 funciona. Por que a sequência “Uma ave pousou no muro. O tucano ficou ali quase uma hora.” causa problema?

  8. Reescreva de acordo com a norma padrão: “Foi uma reunião onde ninguém se entendeu.”

  9. Reescreva de acordo com a norma padrão: “Conheci o autor cujo o livro caiu na prova.”

  10. Leia: “O bairro não tem posto de saúde, e por isso eles precisam ir ao centro para tomar vacina.” Aponte o problema de coesão e corrija.

  11. Leia: “A diretora falou com a professora sobre a sua transferência.” Explique por que a frase é ambígua e reescreva-a de duas formas, uma para cada leitura.

  12. Dois jornais noticiaram a mesma fala. Um escreveu: “O senador criticou a proposta. O experiente parlamentar afirmou que…”. O outro escreveu: “O senador criticou a proposta. O controverso parlamentar afirmou que…”. O referente muda? O que muda?

  13. Reescreva o trecho eliminando as repetições, com pelo menos três recursos de retomada diferentes: “O celular mudou a forma de estudar. O celular permite assistir a aulas em qualquer lugar. Mas o celular também distrai, e muitos alunos não conseguem largar o celular.”

Ver gabarito
  1. “Ela” retoma a nova ciclovia. O pronome é feminino e singular, e “os vereadores” é masculino e plural, então o único candidato é a ciclovia. Fazendo a troca, a frase fica “A ciclovia deve ficar pronta em junho”, e o sentido se mantém.

  2. O referente é um tucano. A retomada é feita por uma palavra de sentido mais geral (hiperônimo): todo tucano é uma ave, então “a ave” volta ao tucano sem acrescentar nenhuma informação nova.

  3. O sujeito das duas formas verbais é os alunos do terceiro ano, que não foi escrito de novo. O recurso é a elipse: a terminação -aram, de terceira pessoa do plural, permite recuperar o sujeito sem repeti-lo.

  4. (a) esta, porque anuncia o que vem depois dos dois-pontos. (b) Essa, porque retoma a pergunta que já foi feita.

  5. A expressão retoma a primeira frase inteira, ou seja, as três enchentes e a perda de metade das pontes. Responder só “as pontes” ou só “as enchentes” deixa de fora metade do cenário.

  6. “Carla e Diego se inscreveram no vestibular; aquela escolheu arquitetura, este, história.” Aquele retoma o termo mais distante no texto, Carla, que foi citada primeiro, e por isso vai para o feminino. Este retoma o mais próximo, Diego. A vírgula depois de “este” marca a omissão do verbo “escolheu”.

  7. Aqui a palavra mais específica tenta retomar a mais geral. O leitor só sabia que era “uma ave”, e “o tucano” traz uma informação nova como se ela já fosse conhecida. Pode parecer que outro pássaro chegou. A direção que funciona é a do exercício 2, em que a palavra geral retoma a específica.

  8. “Foi uma reunião em que (ou na qual) ninguém se entendeu.” Onde só retoma lugar físico, e uma reunião é um acontecimento.

  9. “Conheci o autor cujo livro caiu na prova.” Cujo já indica a posse, o livro do autor, e por isso não pode vir seguido de artigo.

  10. O pronome “eles” não tem referente, porque os moradores nunca foram mencionados. A correção é nomeá-los: “O bairro não tem posto de saúde, e por isso os moradores precisam ir ao centro para tomar vacina.”

  11. “Sua” pode se referir à diretora ou à professora, e as duas leituras fazem sentido. Se a transferência é da professora: “A diretora falou com a professora sobre a transferência desta”, já que desta retoma o termo mais próximo. Se a transferência é da diretora: “A diretora falou com a professora sobre o próprio pedido de transferência”, já que próprio remete ao sujeito da frase. Qualquer reescrita que deixe um único candidato está correta.

  12. O referente não muda: nos dois casos, é o senador. Muda a avaliação. “Experiente” é um elogio e dá peso à crítica; “controverso” sugere que o senador é alguém de quem se deve desconfiar. Pela escolha da expressão, cada jornal mostra sua posição sem declará-la.

  13. Uma resposta possível: “O celular mudou a forma de estudar: permite assistir a aulas em qualquer lugar. Mas o aparelho também distrai, e muitos alunos não conseguem largá-lo.” Foram usados três recursos. Em “permite”, o sujeito foi omitido (elipse). Em “o aparelho”, a retomada é feita por uma palavra mais geral. Em “largá-lo”, entrou um pronome: o infinitivo perde o r, ganha acento, e o pronome assume a forma lo. Vale outra resposta, desde que as retomadas sejam claras e nenhuma fique ambígua.

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