Visto de estudante

O passo a passo do visto F-1, quanto custa, o que levar à entrevista, como comprovar dinheiro e o que você pode trabalhar durante e depois do curso.

Ser aceito é metade do caminho. A outra metade é o visto — e é nela que mais gente trava, não por falta de mérito, mas por documento errado ou resposta mal preparada. Esta página explica o processo inteiro, com os valores e as regras que valem hoje.

Verificado em setembro de 2026. As regras de imigração americanas mudaram muito em 2025 e 2026, e algumas ainda estão em disputa na Justiça. Confira sempre nos sites oficiais antes de agir, e veja O que mudou para o estado atual de cada mudança recente.

Leia isto antes de se preocupar com o resto da página

Nada disso é problema seu agora. O visto só existe depois que você for aceito e escolher uma faculdade. Enquanto você estiver escrevendo redações e estudando para o SAT, essa etapa não é sua — e se preocupar com ela cedo demais só tira energia da parte que realmente decide seu futuro, que é a candidatura.

E você não vai fazer isso sozinho. Toda universidade americana que recebe estrangeiro tem um international students office (ou international student services), um setor cuja função é exatamente essa: emitir seu documento de imigração, dizer que papéis levar ao consulado, orientar sobre seguro-saúde, autorizar seu trabalho no campus e acompanhar seu status enquanto você estuda. É trabalho deles, é gratuito, e eles fazem isso com centenas de alunos por ano.

Esta página existe para você entender o mapa e não ser pego de surpresa. A fonte oficial do seu caso é sempre a sua faculdade.

Escrever para o international office

Mandar e-mail para esse setor é normal, esperado e bem-visto — inclusive antes de você se candidatar, para perguntar sobre auxílio financeiro a internacionais, exigências de documento ou prova de inglês. Ninguém acha estranho; eles existem para isso.

Um e-mail que funciona é curto e específico. Em inglês, diga quem você é (país, ano escolar ou situação), o que pretende (candidatar-se para determinado ano de entrada) e faça uma ou duas perguntas objetivas, em vez de pedir "informações sobre o processo". Pergunte o que só eles podem responder — se aceitam o ISFAA no lugar do CSS Profile, quanto costuma custar o seguro-saúde, se o seu curso está na lista que dá direito à extensão do OPT. Respostas costumam vir em poucos dias.

Guarde essas respostas por escrito. Quando as regras mudam, o que vale para você é o que a sua universidade orienta.

Qual visto é o seu

  • F-1 — o visto de estudante acadêmico. É o de quem vai fazer graduação, pós-graduação, ensino médio ou curso de idiomas. É o seu, quase certamente.
  • M-1 — para cursos técnicos e profissionalizantes não acadêmicos. Quem tem M-1 não pode trabalhar durante o curso e tem direito a no máximo seis meses de treinamento prático depois. Atenção: community college que dá associate degree acadêmico é F-1, não M-1.
  • J-1 — para intercâmbio com convênio entre instituições, bolsas de governo e programas de pesquisa. O documento base não é o I-20 e sim o DS-2019, emitido por uma organização credenciada.

Uma boa notícia sobre o J-1

Historicamente, muitos bolsistas com visto J-1 ficavam sujeitos à chamada regra dos dois anos: a obrigação de voltar e morar no país de origem por dois anos antes de poder pedir certos vistos de trabalho ou residência nos Estados Unidos. Uma das condições que disparava essa regra era a área de estudo estar numa lista do país.

O Brasil foi retirado dessa lista em dezembro de 2024. Ou seja: brasileiro com J-1 não cai mais automaticamente na regra por causa da área que estuda. Ela ainda pode se aplicar se o programa for financiado por governo ou se envolver residência médica.

O passo a passo do F-1

  1. Aceite e I-20. Depois de aceitar a vaga, a universidade registra você no sistema de imigração e emite o I-20, o documento que prova que você foi admitido e que tem como se sustentar. Sem I-20 não há visto. Para emiti-lo, a faculdade exige a comprovação financeira do primeiro ano.
  2. Taxa SEVIS (I-901): US$ 350. Paga depois de receber o I-20, porque exige o número do registro, e antes da entrevista. Para J-1 são US$ 220.
  3. Formulário DS-160. O pedido de visto propriamente dito, preenchido online. Gera uma página de confirmação com código de barras, que você leva à entrevista. Atenção: ele pede todos os seus perfis de rede social dos últimos cinco anos, inclusive os que você não usa mais.
  4. Taxa do visto: US$ 185. Paga antes de agendar a entrevista.
  5. Possível taxa adicional de US$ 250. Criada por lei em 2025, cobrada na emissão do visto. A aplicação vem sendo irregular entre consulados — confirme no posto onde você vai fazer a entrevista, e não conte com devolução.
  6. Agendamento e entrevista. Obrigatoriamente presencial, e obrigatoriamente no país onde você mora. No Brasil, os postos são Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre.

Dois prazos que não têm exceção:

  • Você pode pedir o visto até 365 dias antes da data de início do curso no I-20.
  • Você só pode entrar nos Estados Unidos até 30 dias antes do início das aulas. Nem um dia a mais.

A fila está curta — e isso surpreende quem só lê manchete

O visto de estudante tem prioridade no agendamento. Em setembro de 2026, a espera por entrevista de estudante no Brasil era de menos de duas semanas em Brasília, São Paulo, Rio e Recife, e cerca de um mês em Porto Alegre — mais rápido que a fila de turismo.

Esse número muda o tempo todo. O Departamento de Estado americano mantém uma ferramenta pública de tempo de espera por posto: consulte-a antes de se programar, em vez de confiar em qualquer número publicado, inclusive este.

Comprovação financeira: onde as famílias mais erram

Você precisa provar que tem como pagar o primeiro ano acadêmico completo — mensalidade, moradia, alimentação e despesas. Se você tem bolsa, ela entra na conta e reduz o que precisa ser comprovado.

Costuma valerNão vale
Extrato bancário da família, recenteDeclaração de imposto de renda
Carta do banco em papel timbrado, assinadaEscritura de imóvel
Carta de bolsa ou de auxílio da universidadeDocumento de carro ou outro bem
Carta do empregador informando o salário anualCarteira de investimentos ilíquidos
Confirmação de empréstimo já aprovadoNota promissória ou limite de crédito

O erro clássico da família brasileira é achar que imóvel conta. Não conta: o que se comprova é dinheiro disponível, não patrimônio. Se quem paga é um parente, um terceiro ou um empregador, costuma ser exigida também uma declaração assinada de patrocínio (affidavit of support).

Os extratos precisam ser recentes — várias universidades pedem no máximo seis meses. Confirme o prazo e o formato com a sua, porque isso varia.

A entrevista, e por que alguém é recusado

A entrevista é curta, em geral poucos minutos, e o oficial decide ali. Para entender o que ele avalia, é preciso conhecer uma regra da lei americana:

A presunção do 214(b)

A lei de imigração americana presume que todo solicitante de visto pretende imigrar. Cabe a você demonstrar o contrário — que tem vínculos com o Brasil fortes o bastante para voltar quando o curso terminar.

Uma recusa por esse motivo é chamada de "214(b)", não tem recurso e não é uma acusação pessoal. Você pode tentar de novo, com novo formulário e nova taxa — mas só faz sentido se algo mudou de verdade na sua situação ou na sua preparação.

O que mais derruba pedido de estudante:

  • Não saber explicar por que aquele curso, naquela faculdade. Resposta vaga sobre o plano acadêmico é o erro número um. Saiba dizer o que vai estudar, por que ali e o que isso tem a ver com sua trajetória.
  • Não conseguir descrever o plano de voltar. Dizer que pretende ficar e trabalhar nos Estados Unidos encerra a conversa.
  • Documento financeiro do tipo errado — ver a tabela acima.
  • Extrato antigo, ou dinheiro de terceiro sem a declaração de patrocínio.
  • Rede social omitida no DS-160 ou com perfil fechado. Desde junho de 2025 os candidatos a visto de estudante precisam declarar seus perfis e deixá-los públicos durante o processo. Conta esquecida vira problema de credibilidade.
  • Divergência entre o que está escrito no formulário e o que você fala na entrevista.

Sobre números: não existe taxa de recusa de visto de estudante publicada para o Brasil. O índice global de recusa de F-1 foi de cerca de 35% no ano fiscal de 2025, e o da América do Sul, 22%. São dados de referência, não uma previsão sobre o seu caso.

O que você pode trabalhar

  • Dentro do campus — até 20 horas por semana durante as aulas e tempo integral nas férias. Não precisa de autorização à parte: o I-20 válido já serve. É a forma mais comum de cobrir despesas do dia a dia.
  • CPT (Curricular Practical Training) — estágio ligado ao seu curso, durante a graduação. Exige um ano acadêmico já cursado, oferta de emprego e autorização da universidade num I-20 novo. Cuidado: doze meses ou mais de CPT em tempo integral eliminam o direito ao OPT.
  • OPT (Optional Practical Training) — autorização para trabalhar na sua área por 12 meses, normalmente usada depois de formado. Pede-se ao governo, com antecedência, e há limite de tempo que você pode ficar desempregado durante o período.
  • STEM OPT — mais 24 meses para quem se formou em curso de ciências, tecnologia, engenharia ou matemática, somando 36 no total. Exige que o código oficial do seu curso esteja numa lista do governo e que o empregador participe do sistema E-Verify.

Nada disso se resolve por conta própria: toda autorização de trabalho passa pelo international office da sua faculdade, que assina os documentos e registra a autorização no sistema. Antes de aceitar um estágio, fale com eles — trabalhar sem a autorização certa é uma das poucas coisas capazes de encerrar o seu status de estudante.

Depois do OPT

Para continuar trabalhando é preciso um visto de trabalho, normalmente o H-1B, que é limitado e sorteado. O sorteio mudou em 2026: deixou de ser aleatório e passou a dar mais entradas a quem tem salário mais alto — quatro para um profissional sênior, uma para quem está começando. Recém-formado, portanto, concorre em desvantagem.

Sobre a taxa de US$ 100 mil que foi muito noticiada: ela existe, mas não se aplica à maior parte dos recém-formados. Ela atinge pedidos novos para quem está fora dos Estados Unidos — e não quem está no país com visto de estudante e faz a mudança de status para H-1B. A confusão sobre isso é enorme e vale desfazer.

Se você mudar de faculdade

Dá para transferir o registro de imigração de uma instituição para outra, desde que a nova seja certificada pelo governo. Três coisas que tranquilizam:

  • o número de registro continua o mesmo;
  • você não paga a taxa de US$ 350 de novo;
  • você não precisa de visto novo, se o atual ainda estiver válido.

A escola de origem define a data de liberação do seu registro, e você precisa se matricular na nova no próximo período letivo disponível. Se você sair dos Estados Unidos e voltar com um registro novo, em vez de transferido, aí sim a taxa é cobrada outra vez.

Community college muda alguma coisa?

No visto, quase nada: é o mesmo F-1, mesma taxa, mesmo formulário, mesma entrevista, desde que a instituição seja certificada. O associate degree também dá direito aos 12 meses de OPT.

Uma observação honesta, que não está num manual oficial mas é relato frequente: como o custo é menor e o perfil do candidato costuma ser outro, a conversa sobre vínculos com o Brasil e plano de retorno tende a pesar mais nesse caso. Prepare essa parte com o mesmo cuidado que prepararia a documentação.

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