Outros destinos
Portugal, Alemanha, Itália, Canadá e Irlanda para quem estuda no Brasil — e o caminho de sair do país pela universidade federal.
Os Estados Unidos concentram a atenção, mas não são a única saída — e para muita gente não são a melhor. Em alguns países a graduação pública é gratuita ou quase; em outros, a sua nota do ENEM já serve. Esta página é um mapa curto para você saber onde vale investigar.
Antes de comparar países, entenda a lógica de cada um
- Estados Unidos — caríssimo de tabela, com muito dinheiro de bolsa. Você pode pagar quase nada ou quase tudo, dependendo do seu perfil e da faculdade.
- Europa continental — barato ou gratuito de tabela, com pouquíssima bolsa. Você paga pouco de faculdade e arca com o custo de vida.
- Reino Unido, Irlanda, Canadá, Austrália — caro de tabela e com pouca bolsa para graduação. É o cenário mais difícil para quem depende de auxílio.
Por isso a comparação honesta não é "qual país é mais barato", e sim "quanto eu pagaria em cada um".
Portugal
É o único destino que aceita a nota do ENEM em escala: mais de vinte instituições portuguesas usam o exame como forma de ingresso para brasileiros, entre elas a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro e o Politécnico do Porto.
- Nota de corte — costuma começar em torno de 500 pontos, subindo bastante nos cursos concorridos.
- Validade — o ENEM costuma ser aceito por até quatro anos.
- Custo — as propinas (mensalidades anuais) para estudante internacional vão de cerca de € 1.600 a € 7.000 por ano, conforme a instituição. Estudantes de países de língua portuguesa podem ter condições melhores em algumas delas.
- Sem barreira de idioma, o que reduz muito o custo e o tempo de preparação.
É o destino com a melhor relação entre esforço de candidatura e chance de dar certo, para quem já vai prestar o ENEM de qualquer jeito.
Alemanha
Universidades públicas seguem sem mensalidade, inclusive para estrangeiros, com poucas exceções regionais. Você paga apenas uma taxa semestral de algumas centenas de euros, que costuma incluir passe de transporte.
A barreira é outra, e é grande: o ensino médio brasileiro não dá acesso direto. É preciso um dos dois caminhos:
- Studienkolleg — um ano de curso preparatório, com exame final;
- ou dois semestres de faculdade no Brasil na mesma área que você quer cursar lá.
Some a isso o idioma — a maioria dos cursos de graduação é em alemão, exigindo nível avançado — e a exigência de depositar uma quantia numa conta bloqueada (em torno de € 11 mil) para comprovar que você consegue se manter durante o ano.
Resumo: gratuito em mensalidade, caro em tempo de preparação.
Itália
Um caso pouco conhecido e interessante para família de baixa renda: nas universidades públicas italianas a taxa é proporcional à renda familiar. Quem comprova renda baixa paga pouco ou nada, e ainda pode concorrer a uma bolsa de manutenção (a DSU), que inclui auxílio mensal, refeitório e moradia.
Em troca, a burocracia é pesada: exige tradução juramentada com apostila, uma "Declaração de Valor" emitida pelo consulado italiano, comprovação de escolaridade e, na maior parte dos cursos, italiano em nível intermediário. Alguns cursos têm prova de admissão própria.
Canadá e Irlanda
Dois destinos de qualidade alta e custo alto, com pouca bolsa para graduação:
- Canadá — não há gratuidade, e o visto exige comprovar cerca de CAD 20.600 por ano de custo de vida, além da mensalidade e das taxas de imigração.
- Irlanda — a graduação para quem vem de fora da União Europeia custa entre € 15 mil e € 21 mil por ano, mais comprovação de recursos e registro de imigração depois da chegada.
Fazem sentido para quem consegue pagar, ou para pós-graduação, onde há mais financiamento.
O caminho pela federal
Este merece seção própria, porque é o mais acessível de todos e quase ninguém conta para aluno de ensino médio.
Muitas universidades federais brasileiras mantêm convênios com universidades estrangeiras — intercâmbio de um ou dois semestres e, em alguns casos, duplo diploma, em que você recebe o diploma das duas instituições. Na engenharia, os convênios com escolas francesas são especialmente comuns, e a UFPR é um exemplo conhecido.
A lógica é completamente diferente de tudo o mais nesta seção:
- você não se candidata do zero para o exterior;
- você entra numa federal brasileira pelo ENEM, como faria de qualquer forma;
- depois de um ou dois anos de curso, concorre ao convênio já como aluno de lá, disputando com os colegas da sua própria universidade, e não com o mundo inteiro;
- o custo do processo é próximo de zero, e muitos convênios incluem isenção de mensalidade na universidade estrangeira.
Como descobrir quais existem: procure a assessoria ou pró-reitoria de relações internacionais da universidade — todas as federais têm uma, e a lista de convênios costuma estar publicada no site. Vale fazer isso antes de escolher em que federal prestar vestibular, porque os convênios variam muito de uma para outra e de um curso para outro.
Uma decisão não elimina a outra
Prestar ENEM e vestibular não atrapalha em nada sua candidatura para o exterior, e entrar numa federal mantém aberta a porta do intercâmbio e do duplo diploma. O contrário também vale: candidatar-se para fora não é motivo para deixar de prestar as provas daqui.
O único cuidado é o já mencionado em Calendário: começar uma faculdade pode fazer com que universidades americanas passem a te tratar como candidato a transferência, o que significa menos vagas e menos bolsa. Se você pretende entrar como calouro nos Estados Unidos, confirme isso antes de se matricular.