Objetivos da aula
- Aplicar a lei de Ohm.
- Calcular a resistência equivalente em série e em paralelo.
- Usar as leis de Kirchhoff em circuitos que não se reduzem por associação.
Lei de Ohm
Um resistor é um componente que se opõe à passagem de corrente, convertendo energia elétrica em calor. A lei de Ohm liga as três grandezas do circuito:
U = R · I
- U — a diferença de potencial sobre o resistor, em volts (V);
- R — a resistência, em ohms (Ω);
- I — a corrente que o atravessa, em ampères (A).
Um ohm é um volt por ampère. Quanto maior a resistência, menos corrente passa para a mesma tensão.
Um resistor é chamado de ôhmico quando R é constante — o gráfico de U por I é uma reta pela origem, e a inclinação dela é a resistência. Componentes como diodos e lâmpadas incandescentes não são ôhmicos: a resistência deles muda com a temperatura.
Associação de resistores
2.1 Em série
Os resistores ficam um após o outro, no mesmo caminho. A corrente é a mesma em todos, e as resistências se somam:
Req = R1 + R2 + … + Rn
A equivalente é sempre maior que a maior delas — colocar obstáculos em sequência dificulta mais a passagem.
2.2 Em paralelo
Os resistores ficam em ramos diferentes entre os mesmos dois pontos. A tensão é a mesma em todos, e somam-se os inversos:
1 ÷ Req = 1 ÷ R1 + 1 ÷ R2 + … + 1 ÷ Rn
A equivalente é sempre menor que a menor delas — abrir mais caminhos facilita a passagem. Esse é o teste de sanidade: se deu maior, tem erro na conta.
Para o caso de dois resistores em paralelo, vale um atalho:
Req = (R1 · R2) ÷ (R1 + R2)
E para n resistores iguais em paralelo, Req = R/n.
2.3 Exemplo resolvido
Dois resistores, R1 = 6 Ω e R2 = 3 Ω, estão em paralelo. Qual a resistência equivalente?
1 ÷ Req = 1/6 + 1/3 = 1/6 + 2/6 = 3/6 = 1/2
Req = 2 Ω
Pelo atalho dá o mesmo: (6 · 3) ÷ (6 + 3) = 18 ÷ 9 = 2 Ω. E 2 Ω é menor que 3 Ω, como esperado.
O erro mais comum do paralelo
A fórmula dá 1 ÷ Req, não Req. Depois de somar os inversos, falta inverter de novo. Quem para em 1/2 e responde "0,5 Ω" perdeu a questão no último passo.
As leis de Kirchhoff
Nem todo circuito se reduz por série e paralelo. Quando há várias fontes ou ramos que se cruzam, as leis de Kirchhoff resolvem. Antes, dois nomes:
- Nó — ponto onde três ou mais fios se encontram;
- Malha — qualquer caminho fechado dentro do circuito.
3.1 Lei dos nós
A soma das correntes que chegam a um nó é igual à soma das que saem.
Σ Ientra = Σ Isai
É a conservação da carga: carga não se acumula no nó nem desaparece nele. Se 5 A chegam e um ramo leva 2 A, o outro leva 3 A.
3.2 Lei das malhas
Percorrendo uma malha fechada e voltando ao ponto de partida, a soma algébrica das diferenças de potencial é zero.
Σ U = 0
É a conservação da energia: dar uma volta completa e voltar ao mesmo ponto significa voltar ao mesmo potencial. O que a fonte fornece, os resistores consomem.
3.3 Como aplicar
- Escolha um sentido para a corrente em cada ramo. Pode ser arbitrário — se você errar, a resposta sai negativa, e o sinal negativo já é a correção.
- Escreva a lei dos nós para os nós do circuito.
- Percorra cada malha num sentido fixo, somando as ddps: ao atravessar um resistor a favor da corrente, a tensão cai (entra com menos); ao passar pela fonte do polo negativo para o positivo, a tensão sobe (entra com mais).
- Resolva o sistema de equações que resultou.
O sinal negativo na resposta não é erro: significa apenas que a corrente real vai no sentido oposto ao que você chutou no passo 1.
Onde isso aparece
- Instalação elétrica de casa — as tomadas são ligadas em paralelo, para que todas recebam os mesmos 127 V e para que desligar uma não interrompa as outras.
- Pisca-pisca antigo — em série: uma lâmpada queimada abre o circuito e apaga a fileira inteira.
- Chuveiro no inverno e no verão — a chave muda o trecho de resistência usado, alterando a potência dissipada.